quinta-feira, 30 de agosto de 2012
O LIVRO ABERTO DA SINCERIDADE
Apesar de não ser nem um pouco fã de TV e da minha servir mais como monitor para minha internet, eu curto muito dois programas da TV a cabo (que vejo pela net, claro): Family Guye a série Dexter. O primeiro é o retrato mais irônico da sociedade atual, revelada com deboche em gags cheias daquelas verdades que não deveriam ser ditas. Nela, astros, personalidades, políticos e até mesmo aquele seu vizinho, são desmascarados. Já a segunda, estrelada pelo meu herói favorito, Dexter Morgan, retrata a vida de um serial killer “do bem” que mata criminosos procurados pela justiça. Seria muito rasa uma sinopse simples assim, pois o personagem é extremamente mais complexo em emoções que vão bem além. Numa de suas constantes frases já marcantes no seriado, sempre narrado em primeira pessoa, ele cita o seguinte: Nunca subestime a capacidade das pessoas em te decepcionar.Ponto para Dexter, pois isto é um fato mais afiado que as lâminas que ele usa para desossar suas vítimas. As pessoas nos decepcionam porque talvez esperemos muito delas, afinal nós vemos somente duas coisas nos outros: o que queremos ver e o que de fato eles nos mostram. Geralmente entre uma e outra há um abismo. Talvez por uma necessidade quase fisiológica que o ser humano tem de ser aceito por seu grupo, ser querido, bem recebido, algumas atitudes como a sinceridade, por exemplo, fiquem fora de seu repertorio de ações para evitar constrangimentos e assim seguir a vida feliz regada a mentiras e ilusões. Viver não é fácil e não é para amadores. A gente acaba sempre ferido pelas ilusões criadas no trabalho, no amor, nas amizades, quase sempre pós-decepções, nos obrigando a virar a página e assim nos dar uma nova chance. Quando uma pessoa amada morre há a esperança, de acordo com sua crença, de reencontra-lo num plano distante ou, num universo paralelo. Mas e quando um amor morre em vida? Aí a esperança se esvai, pois se amor morreu, não há chance nem no outro mundo,então o que fazer: virar a página. O emprego no qual você se achava insubstituível e que dava o melhor de si todos os dias, resolveu te cuspir? Não chore, vire a página pois algo melhor se aproxima. Tudo no fundo, incluindo as decepções, servem para nos ensinar a viver. O que não nos mata nos deixa mais fortes. Vivemos entre rostos falsos, seios falsos, empregos falsos, amores falsos, sorrisos falsos e assim caminhamos para o desfiladeiro real da desilusão. Há cada gesto de falsidade diminui o espaço entre o passado e o futuro onde uma nova decepção te visitará. A demagogia dos apresentadores de TV se iguala a dos políticos, pois ambos deixam se fazerem passar por tão estúpidos quanto a sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto eles. Astros que vivem sobre extrema arrogância, passam pela TV com fama de altruístas, graças aos patrocinadores que pagam a conta de suas “benfeitorias” em busca de audiência.Ser demagogo virou símbolo de decência. O político demagogo é reeleito e aquele que comandou um esquema de corrupção que destroçou o país ainda é visto como mártir graças ao doutorado em demagogia e falsidade. Esta na hora de começar a enxergar através das lentes e bem dentro dos olhos, caro leitor. O demagogo não passa de uma rodovia barata por onde transitam os tolos, até que os buracos da verdade desmascarem sua efêmera suntuosidade. Não seja tolo você também e deixe de confundir grosseria com sinceridade e falsidade com gentileza. Nos dias de hoje ser sincero é estar nu de forma indecente e desprezível,mas prefiro me manter assim. Vire a página e descubra você um novo universo onde a demagogia seja abolida e a sinceridade glorificada. Sei que a verdade não é tão saborosa quanto à mentira que sempre vem adocicada, mas os nutrientes da primeira é que lhe darão forças para seguir forte virando páginas e mais páginas até chegar ao final do belo livro de sua vida. A escolha entre ser um best seller popular e tolo ou uma obra autêntica e verdadeira que perdure anos a fio, cabe apenas a você.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
MAURÍCIO DE SOUSA – A ESTRELA MAIS QUE JUSTA, DA BIENAL
Mauricio de Souza é um eterno menino, filho de artistas e criador de personagens lúdicos que eternamente habitam o bairro do Limoeiro de nossas mentes. No auge de sua experiência de mais de sete décadas de vida, é a estrela da Bienal do Livro e orgulho máximo de nosso país, por vezes tão injusto com quem merece. Meu xará sorri o tempo todo, atraindo a todos com sua aura clara e bela. O doce menino do interior, que ainda na infância foi engraxate e vendedor de doces, tinha mania de imitar bichos, em especial cachorros, não por acaso que sua primeira criação da turma da Mônica foi o cachorro Bidu. Maurício cresceu ouvindo as histórias de sua vó Dita e o gibi, era a sua internet, seus olhos eram o mouse e as letras eram ícones que o levariam ao programa desejado e fomentado por sua vasta imaginação. Já adulto, começou sua vida profissional como jornalista de notícias policiais, porém mesmo sendo fotógrafo, trocara o sangue das matérias por nanquim e as transformava em ilustrações. Daí para os quadrinhos foi um pulo e desde então nunca mais parou de criar e fantasiar. Cascão e Cebolinha foram baseados em amigos da infância de seu irmão mais velho e engana-se quem pensa que sua maior personagem foi uma de suas primeiras criações, já que Mônica surgiu praticamente depois de grande parte dos personagens já criados. Ela era um personagem secundário das tiras de Cebolinha, mas com a personalidade forte, acabou se tornando a “chefe” da turma e talvez daí venha a obseção de cebola em ser o “chefe da lua”. Logo depois veio Magali, também baseada em sua filha, minha grande amiga que herdou a humildade máxima e o carisma de seu talentoso pai. Maurício sempre foi um visionário, tanto que criou o personagem Astronauta anos antes do homem pisar na lua. Vencedor de vários prêmios, como o Yellow Kid, o Oscar de quadrinhos, conheceu ainda gente graúda desta arte como Stan Lee (pai da Marvel), Osama Tezuka e ainda Will Eisner que se tornaram seus grandes amigos. Com sua obra reconhecida pelo mundo, o genio do Marketing despontava com licenciamento de diversos produtos da turminha, como o inesquecível comercial do extrato de tomate com o Jotalhão (que virou logotipo da marca) até o clássico desenho de natal da turma da Mônica. Com mais de um bilhão de gibis vendidos em toda sua carreira, é indiscutivelmente o maior formador de leitores do país. Com sua humildade e talento tatuou (e ainda tatua) belos sorrisos nas faces de seus leitores. Uma pena que o espaço seja tão pequeno para falar de um sujeito tão grande, que entre tantas homenagens merecidas, recebeu talvez uma das mais marcantes, que fora a coleção MAURÍCIO DE SOUSA POR 50,onde diversos artistas criam histórias com os personagens do meu xará, cada um com seu estilo de desenho. Entre estas feras estão Ziraldo, Angeli e mais uma penca de gente talentosa e de respeito nesta área tão fascinante que é o desenho. Assim como seu personagem Horácio, Maurício nos mostra que mesmo os mais primitivos hábitos podem ser mudados e assim como seu Astronauta nos faz acreditar que nossos sonhos nos levam, mesmo sem mapas e bussolas, onde queremos chegar, bastando atravessar a ponte mágica entre dois mundos: o real e o imaginário. Mais importante do que ser um contador de sonhos é ser um grande inspirador para que outros sonhadores vivam seus próprios sonhos. E nisto, Maurício é craque. Parabéns, xará!
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
O BRASIL NAS OLIMPIADAS
No Brasil a excelência do atleta é profissional, mas a estrutura de recursos é amadora. Cultura e esporte no país nunca foram levados a sério como deveriam. Esporte só aparece em época de eleição ou em propaganda para afastar jovem das drogas.Muito pouco se vê na prática já que não há espaços decentes para a educação desportiva nas escolas e muito menos praças e quadras suficientes em bairros periféricos. Ser um exímio piloto não basta para se ganhar uma corrida, se você dirige uma carroça contra Ferraris. A China desbancou todos e faturou a maioria das medalhas, não porque com sua agilidade industrial levou uma máquina para fabrica-las, mas sim porque o governo investiu em seus atletas. Lá esporte é visto como carreira. Aqui grande parte de nossos atletas treina nos intervalos de um trabalho comum para sustentar suas contas. É lamentável um país rico, que vive um grande momento como o nosso, ainda se manter preso ao passado onde arte e esporte (claro, ressalvando o futebol) são vistos como hobby ou coisa de quem não tem o que fazer.Até quando seremos vítimas de discursos políticos? O vereador da sua cidade para ganhar voto fala em incentivo ao esporte, que para ele resume-se a um jogo de fardas para o time de futebol do bairro ou um campeonato amador que leve o nome de outro político afastado ou já falecido, isto quando não se leva o nome do próprio “patrocinador” do evento. Os deputados elaboram leis como a Pelé e a lei Zico, onde favorecem jogadores de futebol, peças fundamentais para o jogo da manipulação das massas, mas seria esporte apenas isto? Pense e se acertar a equação leva uma medalha de ouro. Eu acho que deveríamos apostar em categorias que nem precisaríamos de incentivo. Aquelas que já que nascemos campeões. Por exemplo o levantamento de peso morto.Categoria onde grande parte de nossos políticos nepotistas empregam parentes, amantes e comparsas em áreas que lhes falta competência e as vezes até assiduidade e quem carrega o peso, somos nós, a população. Micros empresários fazem diariamente corrida com obstáculos para abrirem suas empresas frente ao monstro da burocracia nacional. Nossos menores de rua ganhariam fácil na prova de velocidade com tempo recorde entre furtar uma carteira e ser pego centenas de metros depois pelo chefe, maior de idade, da quadrilha, que numa atuação covarde de boxe, leva o ouro sempre. Na categoria de remo temos um time campeão, já que em dia de enchentes vários homens e mulheres comuns se veem obrigados a remarem em cima de um barco improvisado de sofá, para salvarem filhos, animais e o pouco que restou de seus bens. Nas paraolimpíadas somos imbatíveis em duas categorias.Uma delas é o salto em altura e o salto em distância com cadeiras de rodas, afinal, o que nossos deficientes mais fazem é saltar buracos e imperfeições nas calçadas de uma metrópole que não tem o menor respeito por estas pessoas. A outra é a corrida de cem metros rasos para cegos, já que quando o farol abre, mesmo atravessando sobre a faixa como auxílio de alguma boa alma ou da companheira bengala, o pobre homem é obrigado a correr como Forest Gump para não ser atropelado por algum imbecil apressado que ignora cidadania e as leis de trânsito. No xadrez não temos muitos nomes, mas para artimanhas em escapar do xadrez, temos uma lista infindável de recordistas mundiais.Tiro ao alvo, bateríamos o recorde, se contássemos com nossos juízes que absolveram os policiais de Manaus que nitidamente balearam um inocente, mas que na opinião destes senhores, acertaram no alvo, a parede. Mas ta chegando a nossa Olimpíada, afinal o país não tem estrutura para bancar seus atletas, mas tem para fazer um evento desta proporção. A abertura será emocionante. Londres teve Paul e Bowie, mas nós teremos Luan Santana e Michel Teló, que farão com que muitos telespectadores comecem a analisar a hipótese de apagar a chama olímpica em orifícios alheios. Ao meu ver os atletas que lá estão nos representando já são vencedores. Os que trazem medalhas são heróis e os que trazem de uma categoria sem investimento, são excepcionais e que possam viver seu momento único de glória e fotografa-lo na memória, porque quando chegarem em seu país, duas semanas depois, voltarão à suas vidas comuns, sonhando com o incentivo que não vem e a medalha cada vez mais distante.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
O MAIOR BRASILEIRO DE TODOS OS TEMPOS OU O MAIS POPULAR DE HOJE EM DIA?
Silvio Santos, sem dúvida esta entre os maiores brasileiros de todos os tempos, mas ficou de fora da lista promulgada pelo SBT, por razões óbvias. Eu votaria nele como o maior fanfarrão do Brasil. Ele joga aviões de dinheiro, muda a programação da TV a hora que quiser, não abaixa a cabeça para ninguém, domina um auditório com maestria e é capaz de vender ordenhadeira pra fazendeiro que só tem uma vaca e ainda pegar o ruminante como forma de pagamento. A tal lista de Silvio sobre os cem maiores brasileiros de todos os tempos, na teoria é boa, mas na prática contou com a ajuda de suas colegas de auditório, seu staff e claro, os internautas e estudantes. O que tinha tudo para ser um registro histórico sério, se tornou uma telesena da estupidez. A lista tem personas memoráveis como Ayrton Senna, Tiradentes e Santos Dumont, mas quando começam a desaparecer nomes mais óbvios é que a ignorância começa a dar as caras. Ivo Pitanguy,referência mundial na arte da cirurgia plástica, foi esquecido da lista, que nem com seu talento excepcional conseguiria deixar mais bela. Outro médico, o Dr. Zerbini, que fez o primeiro transplante de coração no país, foi esquecido talvez porque transplante de cérebros seria o mais apropriado para os eleitores desta palhaçada. E por falar em palhaços, Grande Otelo, Oscarito e Arrelia foram trocados por uma figura bem mais influente e histórica da nação, o nobre Tiririca, que com seus versos “Forentina, Forentina...” vem à frente inclusive de Carlos Drumond de Andrade, que seria sua antítese.Glauber Rocha teve sua tela apagada, pois apesar de ter um filme na lista dos cem mais importantes de todo mundo, perdeu uma vaga de importância na história de um país, para Gugu e Luciano Huck. Sônia Braga e Rodrigo Santoro foram execrados, mas o “ator” Rodrigo Faro e Lua Blanco (?) não poderiam ser esquecidos, afinal são ícones de nossa dramaturgia. Nelson Rodrigues de fora, mas com um sorriso nos lábios provou sua teoria de que toda unanimidade é burra. Chico Xavier merecidamente encabeça a lista. Um homem puro, simples e que se desprendia de bens materiais está ao lado de R R Soares, Silas Malafaia, Edir Macedo e Valdomiro Santiago, materialistas convictos que em nome de Jesus, sócio minoritário de suas empresas, produzem “fé” a preços módicos e constroem impérios. No país do carnaval nenhum sambista foi citado. Cartola, Bezerra da Silva, Noite Ilustrada e nem Beth Carvalho que ficou famosa até em Marte, foram lembrados. Os maestros Heitor Villa lobos e João Carlos Martins foram trocados por Claudia Leite e Joelma, que figuram na lista à frente de Chico Buarque, Raul Seixas, Cazuza e Tom Jobim. Mas nem todos juntos batem a importância cultural de Michel Teló, que com uma música nem sequer composta por ele, figura entre os cem nomes mais importantes da história do país. Talvez porque fez sucesso no exterior, pode sr. Pena que gente respeitada pelo mundo até hoje, como Mauricio de Sousa, José Mojica, Viki Muniz, Romero Britto, Fernando Meirelles, Walter Salles, José Padilha, Fernanda Montenegro e sua filha Fernandinha, premiada em Cannes como atriz, são ignorados. Até Mônica Mattos, atriz pornô brasileira vencedora do Oscar da categoria merecia bem mais um lugar aqui do que um presidente deposto por impeachment, afinal se é para nos f..., prefiro que seja com ela. Algo esta errado quando um jovem espancado quase até a morte ao salvar um mendigo, tem seus agressores absolvidos pela “justiça”, e perde sua vaga na lista para Luan Santana. Não é de se espantar que dois moradores de rua honestos que devolveram 20 mil reais, que mudariam suas vidas, perdem espaço para Paiva Netto,homem “solidário” , 
que vivia numa mansão e tinha carros de luxo, com as doações da LBV. No esporte Neymar e Ronaldinho Gaucho derrubaram gente como Eder Jofre, Zagallo e Fittipaldi, afinal o que tais senhores fizeram pelo nosso esporte? Conclusão: nosso povo não consegue eleger o melhor do Brasil, que dirá o melhor para o Brasil. Como diria Paulo Freire: “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho!”

sexta-feira, 20 de julho de 2012
É PROIBIDO, PROIBIR!
O estadista Abraham Lincoln, que pra geração mais jovem virou assassino de vampiros, dizia que aqueles que negam liberdade aos outros não a merecem para si mesmos. Livre e com uma estaca nas mãos,ele faria um bom trabalho em SP, limpando a cidade de sanguessugas circulando livremente a luz do dia com fardas de autoridades, sorvendo até a alma da população. Há tantas bobagens fomentadas pelo preconceito, falta de informação e uma dose elevada de arrogância, que às vezes até parece que estamos vivendo num livro de ficção cientifica de Huxley. O ditador máximo da cidade vem dando um show de humor negro em sua lista de proibições, que quase sempre, ofende a população e o faz recuar. Começou pela merenda escolar que caiu de cinco para quatro, e após opinião pública, que significa voto, voltou a ser o que era. De acordo com o prefeito: “Faz tão mal à saúde comer demais quanto comer de menos”. Se levarmos em conta a silhueta do autor da frase, até que faz sentido.Ai veio a lei do silêncio nas feiras, proibindo feirante de gritar até “moça bonita não paga, mas também não leva”, que teve de ser adaptado para a linguagem dos sinais e a feira virou um concerto de rock para surdos-mudos. Também é proibido embrulhar peixe em jornal, então o que fazer com o material oferecido ultimamente pela imprensa comprada? Limpar-se pós evacuação intestinal pode? Estão proibidos bancos e mesas na feira, então se quiser comer pastel, coma de pé e sem vinagrete, porque também é proibido. Ah, e se trocar o pastel por uma galinha ao molho pardo, lamento informar, mas esta proibida. É proibido também mendigo (e você) deitar em banco de praça. Os bancos passaram a ter barras de ferros.Quem proibe alguém de se deitar no banco da praça, nunca namorou no final da tarde com a amada (o) deitada (o) com a cabeça em seu colo ou então nunca dormiu na rua, não como um pobre mendigo, mas como o sujeito carente de amor da famosa canção sertaneja. É proibido painel eletrônico e outros anúncios, como outdoor, pra dar fim à poluição visual. Mas e a poluição sonora? Carros de som, funkeiros e seus Ipads no ônibus, podem? Artista de rua também esta proibido. Se você é cantor e não tem padrinho na TV, parente famoso e nem teve de vender a alma ao diabo (claro, se o diabo quiser) você muda de ramo, porque não há mais onde se apresentar. Para se alimentar, busque outra formação, como por exemplo, flanelinha, esta digna figura de extrema importância para a cultura de uma sociedade e que livre, pode até virar profissão legal, pois assim como político, não precisa ter formação alguma, basta saber extorquir. Ah, e esta proibido também prostíbulos que sejam administrados pelo senhor Oscar Maroni.
Afinal em SP é só ele que não vale nada e é pornográfico. Os demais recintos são dirigidos por senhores e senhoras de bem. Agora convenhamos que proibir sopão para quem tem fome, como desejam as madames da Oscar Freire, para quem sabe assim limpar a cidade de “pobres”, já é absurdo. Proibir o altruísmo de alimentar pessoas, para mim, já ultrapassa os limites da vigarice. Mas já que a moda é “vamos proibir” seguem aqui algumas sugestões: que tal proibir marronzinhos de se esconderem atrás de postes como criminosos para sustentar o monstro gordo do mercado das multas; proibir o mau funcionamento dos radares; proibir que pessoas sem grau de instrução condizente com o cargo, assumam secretarias; proibir fiança no caso de motorista embriagado que atropela ou causa acidentes;proibir que as calçadas sejam esburacadas impedindo o direito de ir e vir de pessoas com deficiências; proibir candidato de prometer, assinar compromisso e mesmo assim não cumprir mandato até o fim; proibir coligações partidárias sinistras (pleonasmo?); proibir habeas corpus para crimes de corrupção; proibir aumento de salário para vereadores, deputados e senadores. Bom, acho que já deu. Se proibir estas eu juro que o prefeito terá meu voto até para presidente, incluindo a reeleição. Mas se ele preferir, pode me proibir de votar, que juro, não vou ficar chateado.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
TODO DIA É DIA DE ROCK, BABY
Esta semana foi regida a rock and roll, já que ontem a maior banda de todos os tempos, Rolling Stones, completou cinquenta anos de carreira,uma marca absolutamente memorável e hoje é o dia mundial do rock. Pra quem não sabe, esta data foi criada em 1985 quando Bob Geldof (o Pink de The Wall) organizou o Live Aid, um show com o objetivo utópico de eliminar a fome na Etiópia. O espetáculo teve The Who, Led Zeppelin, Dire Straits, Queen, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins, Eric Clapton, Black Sabbath e outros. Infelizmente pela ganância desenfreada de alguns poderosos, os nossos irmãos africanos continuam passando fome, mas a data permaneceu até hoje celebrando este estilo musical absolutamente plural, contagiante e contestador. Muita gente vai dizer que desde os 90, quando Kurt Cobain pôs um fim à sua vida, o rock morreu junto,o que é um grande absurdo, já que coincidentemente o Foo Fighters, banda do ex-baterista do Nirvana, surgiu depois e continua lotando estádios,(como Wembley) e vendendo muito cd mesmo em tempos de pirataria. O que de fato denigre o rock é a estupidez alimentada pela mídia e pelos altos executivos de gravadoras, que em sua maioria são roqueiros frustrados, que tentaram uma chance no passado e viram seu talento ruir assim como seus longos cabelos e hoje, meio que numa bronca que Freud ligaria ao sexo (a tríade sagrada sexo, drogas e rock and roll) resolveram brochar de vez o mercado musical entupindo-o com o que tem de pior em atitude e musicalidade. O que se tem hoje são artistas programados, absolutamente criados em laboratórios e inverossímeis com o próprio estilo rotulado.Você vê sertanejos sem referências ao sertão; funk que faria James Brown ressuscitar, só para poder se dar um tiro na cabeça de tanto desgosto; um tal forró sintetizado que nem de longe lembra o orgânico imortalizado por Luiz Gonzaga, sem contar nas bandinhas de menininhos meio menininhas com o ícone da MTV tatuado na bunda e se achando rock and roll com suas letras patéticas, músicas estúpidas e um visual de envergonhar até os Teletubbies. Isto só pode ser produto destas cabeças recalcadas que mantém a velha máxima aprendida nos cultos de suas sociedades secretas de outros tantos roqueiros frustrados: o povo não gosta de rock. Hum, vejamos, Raul Seixas fazia rock e até hoje é cultuado por roqueiros, artistas e pasme você, pela população como um todo.
Roberto e Erasmo surgiram de que movimento? Os poucos artistas que explodiram em vendagens e lotaram estádios com público recorde que eu me recorde foram Legião, RPM e Mamonas, que tocavam o que? Quando se quer vender algum produto na TV para atrair o consumidor, na vasta maioria das vezes que estilo musical usa-se ao fundo? E trailer de cinema? Qual estilo musical mais utilizado para se vender um filme em dois minutos? Stones fizeram um show em Copacabana levando quase dois milhões de pessoas, tal fato já se repetiu com alguma banda de axé? Pagode? Por estas e outras que chego a simples conclusão de que o rock é o único estilo musical que jamais morrerá. Sua força é imbatível, porque o que este estilo tem de mais poderoso é exatamente a atitude. Elvis, Chuck, Lennon, Richards, Pop, Tyler, Young, Morrison e tantos outros provaram que arte sobressai à farsa sempre e a verdade é o que de fato nos liberta. Há muito pagodeiro roqueiro, assim como gente do forró com atitude rock and roll. Zeca Pagodinho é rock and roll. Bezerra da Silva era rock and roll. Jackson do Pandeiro é primo irmão de Chuck Berry e até a Gretchen da década de 80 teve seu lado Elvis contestador, afinal não era comum alguém mexer as cadeiras como a tal senhora que hoje mais lembra o Alice Cooper, mas que na época fez muito adolescente “lets rock, lets roll” no banheiro. O fato, meus amigos leitores, é que a boa música sempre será rock na sua essência, desde que ela tenha atitude. Um brinde aos roqueiros de alma e uma vaia aos roqueiros de vitrine. Viva a música!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
LOUCOS POR TI, JUSTIÇA
Todos sabem que não sou um entusiasta futebolístico, mas sou fascinado por histórias que tenham dose extra de emoção e isto o Corinthians tem no DNA,pois todas suas conquistas e títulos são um evento que transcende o futebol. Uma final de Corinthians mobiliza uma cidade, um estado e grande parte do país. São homens, mulheres, crianças, velhos, ricos e pobres, todos numa massa alvinegra que gera emoção até mesmo em quem não é corintiano, mas que tem admiração por esta forma de amar do torcedor. Eu nunca fui adepto desta guerra boba e por vezes violenta entre torcidas e sinceramente acho isto uma babaquice sem fim. Brincar com piadas sobre derrotas do time adversário é extremamente saudável, mas quando se leva isto a um patamar de guerra santa e até se mata por não ser do mesmo time,o encanto e a magia desta grandeza e beleza do amor ao clube se esvai bueiro abaixo e boia com o lodo do desprezo. Não é por não ser corintiano que não vou ter a nobreza de parabenizar o time, ou um torcedor pelo seu título e campanha vencedora e admirável. E isto serve também para os corintianos que deveriam admirar o talento dos times adversários também, afinal São Paulo foi campeão da Libertadores por três vezes é de se admirar até por quem não torce. Sou são-paulino de berço (e sem piadinhas, hein) e completamente realizado e feliz (se bem que um são paulino feliz é pleonasmo) com minha escolha, mas repito, não sinto vergonha alguma em prestigiar um grande time que se torna campeão mais do que merecidamente. Convenhamos que a torcida corintiana que esperou por 102 anos, de fato merecia o prêmio e Oscar Niemeyer, já pode descansar em paz e dizer que de fato,viu de tudo na vida e foi um homem feliz. Assim como um marido traído, mas apaixonado, o torcedor corintiano emociona pelo amor incontestável e incondicional por sua paixão: o Corinthians! Todos os times têm uma torcida. O Corinthians é uma torcida que tem um time. Eu não sou fã ardoroso de futebol, como já mencionei acima, e concordo com Millôr Fernandes quando dizia que “O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia”, mas é inegável o poder emotivo que um time tem sobre seus torcedores e isto faz do futebol uma arte onde o talento está nos pés de jogadores, que a cada lance perfeito e a cada gol de placa, pintam um quadro, compõem uma música e escrevem um livro na memória do torcedor. A fé do torcedor corintiano e adoração pelo seu time é de se admirar, pois mesmo em sua estadia sombria na série B do futebol, o torcedor nunca deixou de vibrar,ir ao estádio e amar o seu time e como que num filme de Tom Cruise, o time da fiel deu a volta por cima com o apoio desta torcida que no aspecto de devoção (reprimo o lado idiota do vandalismo e da violência) deveria servir de exemplo e por isto merece a alcunha que a acompanha: Fiel! E como o preço da fidelidade é a eterna vigilância, o time pode jogar na China ou na Finlândia, que vai ter uma torcida considerável lá para observar e porque não vigiar os passos dentro e fora do gramado. Finalizo com um gol de calcanhar do saudoso Sócrates, que era doutor dentro fora do campo, e que filosofava como seu xará grego: “O Corinthians não é só um time e uma torcida. É um estado de espírito.” Porém, caro doutor, onde quer que estejas há de concordar com este humilde jornalista de que seria muito bom se estes “Loucos por Ti Corinthians” se tornassem “Loucos por Ti Brasil” e usassem toda esta garra e devoção para fazerem do nosso país um verdadeiro campeão. Com a força que a torcida expulsa jogadores e dirigentes que não lhe agradam, também retirem políticos corruptos e governantes incompetentes, afinal o circo nós já temos, resta lutar pelo pão. Que este espírito guerreiro faça do Brasil uma nação de "Loucos por justiça".
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