segunda-feira, 30 de setembro de 2013

INDEPENDÊNCIA OU SORTE?

Amanhã se comemora a independência do Brasil. Bom momento para se refletir até que ponto somos de fato independentes mesmo ou só trocamos de dono.Talvez estudar mais profundamente a questão seja descobrir de fato o que é ser independente. Seu país pode ser livre das ordens de outro, porém e você, é livre dentro de seu país? Você é independente trabalhando obrigado a sustentar um governo que sustenta vagabundos, corruptos e agora até a nova modalidade, deputados presidiários, como se já não bastassem criminosos, assassinos, molestadores de crianças, e tudo isto sem o seu consentimento,
ou seja, você é obrigado e não livre para optar. Votar também aqui é obrigatório. Você depende de serviços públicos, paga por eles, mas necessita depender também de um plano de saúde particular, de seguro contra roubo, de plano de aposentadoria, etc, etc, etc, e tudo porque você é “independente”. Você é livre, ok, mas até onde? Tem independência que só funciona na poesia. Na realidade é bem diferente, ainda mais quando se é dependente da grana. Não ter dinheiro torna sua vida nada fácil. As oportunidades lhe viram a cara quando você não tem nada nos bolsos. Se você não depender diretamente de alguém, seja uma empresa, um patrão, um padrinho ou um amigo influente, tudo se dificulta, então sem orgulho, sejamos sinceros, no fundo todos dependemos de alguém ou de algo. Até o poeta mais nobre e mais duro depende da sensibilidade de amigos para no mínimo conseguir sobreviver com trocados.
Pergunte para um executivo dependente de seu emprego, se quer trocar a segurança por uma independência. Pergunte à uma mulher (ou homem) bem casada (o), se trocaria a segurança de uma vida tranquila pela independência de buscar novos amores. Pergunta se tal artista que reclama aos quatro ventos por estar “engessado” numa gravadora, topa ser independente e se arriscar nos palcos da vida sem patrocínio. Pergunta se algum cineasta topa não depender das leis de incentivo ou da Petrobrás, e assim por diante. No fundo somos eternos dependentes e quem se arrisca a ser independente, como este que vos escreve aqui, paga um preço caro, bem caro, por ter optado em ser independente. Escrevo meus livros e os lanço no mercado assim como vários outros artistas independentes. Mas porque não queremos dependência? Em parte pela liberdade de nossa arte e acima de tudo pela sorte de não ter a interferência burocrática na obra. Mas por um outro lado, há também o fato de ninguém ter se interessado em investir em nosso trabalho. Olhe o mercado hoje. Quem esta na mídia?
Faça um breve estudo e veja de onde estas pessoas vieram, surgiram e aí vai compreender. Seja sincero em seu julgamento: quantos de fato chegariam onde estão sem a dependência do pai ou de algum padrinho? Artistas de verdade, meu bom amigo leitor, são as pessoas mais motivadas e corajosas sobre a face da terra. Lidamos com mais rejeição num ano do que a maioria das pessoas encaram durante toda uma vida. Todos os dias, enfrentamos o desafio financeiro de viver um estilo de vida independente somado ao desrespeito de pessoas que acham que deveríamos ter um emprego a sério, quando na verdade nosso trabalho é levado mais a sério do que o destas pessoas. Eu trabalho mais de 18 horas por dia para produzir tudo que faço, mas para muitos isto é apenas um sonho e não um trabalho. Se você quiser ser independente, meu caro, pode perder namoradas, esposas, amigos e a cabeça. Pode ficar sem comer por alguns dias e até viver um paradoxo
interessante onde você sofre rejeição e assim mesmo as pessoas te invejam, achando que sua vida é a melhor. E quer saber? Talvez seja. Quem sabe o segredo da vida não está no fato de ser livre e independente quando no fundo nascemos todos dependentes? Só não seja nunca independente dos seus sonhos. Seja o que for que aconteça continue sonhando. Mesmo quando esmagarem sua esperança ou quando te deixarem sozinho continue sonhando. Ninguém sabe do que você é capaz a não ser você mesmo.Enquanto você estiver vivo, a sua história ainda não acabou. É a única luta boa que existe. Sempre!

POR UM BRASIL SEM CURA

Tempos difíceis os que vivemos onde a hipocrisia, ganância e violência vem tomando espaço dia após dia no cenário deste filme estranho em que somos coadjuvantes e a eterna burrice da submissão assiste a tudo batendo palmas enquanto engasga com a pipoca velha na sala suja deste cinema chamado Brasil. Na tela deste país você vê um idiota atropelar um ciclista, jogar o braço da vítima no rio e não ir sequer a julgamento;
aí outro playboy mais idiota ainda fuzila a sangue frio e queima-roupa um rapaz na frente de todos e a justiça solta no mesmo dia alegando que ele não causa perigo à sociedade; aí um jogador idiota beija o amigo na boca num gesto contra a homofobia, declarando depois que não é gay porque não é são paulino, assumindo assim a sua postura homofóbica e preconceituosa; aí um vagabundo sem carteira de habilitação e bêbado mata uma criança de 12 anos atropelada, é flagrado por várias câmeras, vai preso e minutos depois sai rindo da delegacia direto pra casa; aí o torcedor violento que foi acusado de matar um garoto na Bolívia, é solto e se envolve de novo numa briga de torcidas; aí o menino de apenas 13 anos aprende a atirar, já dirige o carro dos pais policiais e hipoteticamente num ato psicótico mata a família, vai à escola e suicida; aí Câmara dos Deputados rejeitou, durante votação em plenário, a cassação do mandato do deputado federal Natan Donadon,
condenado a treze anos de prisão por peculato e formação de quadrilha e cumprindo pena no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, o que você espera do final do filme? O Brasil é uma vergonha mundial e a cada dia fica pior e ninguém faz nada. Até as manifestações já se calaram. Como eu havia ironizado com razão: o gigante acordou só para ir ao banheiro, mas voltou a dormir sem nem limpar a bunda. Para a vergonha ficar ainda maior, esta semana médicos cubanos foram hostilizados por “médicos” que exalam preconceito e xenofobia, mudando o juramento de Hipócrates para o de hipócritas. Fica a questão: estes cubanos estão tomando o emprego de algum destes que ali faziam este tipo obscuro de manifestação racial? Algum destes manifestantes está disposto a trabalhar em zonas rurais e regiões periféricas onde não há atendimento básico? Evidente que a questão desta importação de médicos cubanos é mais uma tramoia política de um governo corrupto e já doente, quem dera terminal, para financiar Cuba,
talvez o sócio que o saudoso Cazuza tanto questionou. Mas agredir médicos importados que apenas querem trabalhar seria o mesmo que ofender bombeiros e não quem causa incêndios. Seria agredir anjos do asfalto e não bêbados ao volante que causam acidentes. Seja cubano, baiano, marciano, o que importa é ser HUMANO e cuidar de SERES HUMANOS com no mínimo dignidade. Dignidade aliás que falta (ou talvez nunca existiu) a governantes escrotos frutos de partidos que são na verdade organizações criminosas que estão pouco se importando para problemas da população. Crianças na Bahia choram por não terem sequer cadeiras para assistir aulas. Andam as vezes 5 kilometros até a escola e ainda assistem as aulas em pé. Alguém se importa? Claro que não. Quem sabe se Cuba começar a exportar cadeiras a situação se resolva. Já que a moda é IMPORTAR então que se tragam enfermeiras suecas;
jogadores com educação européia; juízes italianos ou americanos, onde no mínimo há condenações e se pagam na cadeia. Porque não importamos pais também que eduquem seus filhos a serem bons alunos, boas pessoas, para não aprender a atirar e muito menos dirigir antes da hora para num futuro suicidar ou pior ainda, atropelar pessoas ou assassinar inocentes no meio da rua na frente de todos sabendo que não se há punição quando se tem uma bela conta e um pai bem relacionado. Que se importem políticos nórdicos que aceitem trabalhar na política como voluntários, sem salários ou mordomias. Que finalmente se crie vergonha na cara, porque o mundo não precisa de fronteiras e nem barreiras, precisa é de decência, ética e acima de tudo coragem para mudar em prol dos que não tem voz. Que nosso mundo seja enfim curado por cubanos ou não!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

HÁ TANTO TEMPO...

Há tanto tempo esperamos um pedido de desculpas daquele que nos magoou, mas o silêncio continua nos socando a face dia a dia. Há tanto tempo esperamos uma palavra de amor daquela que nos esqueceu e se perdeu pelo mundo afora. Há tanto tempo esperamos a oportunidade bater à nossa porta quando não estamos notando nem sequer o sol que tenta entrar e não deixamos. Há tanto tempo esperamos ver nosso sorriso refletido no rosto frio daqueles em que a única riqueza que possuem é a que pesa no bolso.
Há tanto tempo esperamos o amanhã, que já é hoje, ser diferente de ontem que insiste em ser sempre a mesma coisa. Há tanto tempo esperamos a chegada do Salvador que nunca vem, enquanto os ingressos são vendidos diariamente a preços estratosféricos pelos cambistas religiosos. Há tanto tempo esperamos que decência, ética e dignidade façam parte do nosso vocabulário de palavras chulas e frases mal elaboradas. Há tanto tempo esperamos que a arte nos aponte uma resposta, enquanto nossas veias se entopem com todo este colesterol visual e sonoro que nos empurram goela abaixo. Há tanto tempo esperamos que as pessoas comecem a valer mais do que o preço que cobram para serem quem de fato não são. Há tanto tempo esperamos que crianças sejam crianças e não adultos frustrados antes da hora.
Há tanto tempo esperamos a dieta certa, o botox preciso e a cirurgia perfeita para nos manter lindos enquanto nossa alma apodrece no vazio de tanta insignificância. Há tanto tempo esperamos na fila para alguma fila que se prometa a felicidade, mesmo que imaginária. Há tanto tempo esperamos deixar de ser ignorados para enfim sermos vistos como somos em essência. Há tanto tempo esperamos a companhia perfeita que também espera uma companhia perfeita que também está à espera de uma companhia perfeita e assim sucessivamente onde nunca ninguém se encontra neste labirinto de paixão e desejo. Há tanto tempo esperamos que o bicho homem deixe de ser bicho mau e plante amor ao invés da guerra,
mas poucos de nós toma a iniciativa de regar a primeira semente. Há tanto tempo se espera que um filho chegue para seguir os nossos passos, quando na verdade ele chega para nos abrir novos caminhos. Há tanto tempo esperamos recuperar nossos sentidos em outras terras, outros ares, outros corpos, sabores, paisagens mas nos mantemos presos à nossa sala cercada de dor e incertezas. Há tanto tempo esperamos ter condições de viajar, de explorar, descobrir, quando vivemos apenas para nos manter vivos, mas sem vida. Há tanto tempo esperamos uma nação justa mas continuamos poluindo o congresso elegendo o mesmo lixo sórdido que não se recicla. Há tanto tempo o que outrora foi já não é mais e insistimos em manter a visão presa ao passado que já não existe. Há tanto tempo insistimos em vestir a roupa que não nos cabe. Há tanto tempo esperamos o brilho no olhar daquele que mudará nossa vida quando este brilho nada mais é do que o espelho do nosso olhar.
Há tanto tempo esperamos que alguém nos salve sem notarmos que somos a salvação de muitos que também nos aguardam. Há tanto tempo esperamos explodir o grito entalado na garganta que ensurdeça o mais distante ditador e o faça tremer e se calar. Há tanto tempo esperamos ser o que poderíamos ser mas não somos porque não queremos ser ou nos falta a coragem necessária. Há tanto tempo esperamos a hora certa para dizer eu te amo, sabendo ao fundo que toda hora é hora de dizer EU TE AMO. Há tanto tempo esperamos o amor e há mais tempo ainda o amor tem nos esperado. Há tanto tempo esperamos e esperamos, enquanto o tempo nos devora e não espera nunca ninguém...
Maurício NUnes

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

CINQUENTA TONS DE LARANJA

Um dos grandes clássicos do cinema e talvez a obra prima mais popular do genial Stanley Kubrick é sem dúvida o filme Laranja Mecânica. Baseado no livro escrito em 1961 e publicado pela primeira vez em 1962, “Laranja” não só está entre os clássicos eternos da literatura universal como representa um marco na cultura pop do século 20. Meio século depois, a perturbadora história de Alex Delarge
– líder de uma gangue que se reúne para praticar assaltos, espancamentos e estupros pela cidade – continua fascinando, e desconcertando leitores mundo afora. Após involuntariamente cometer um homicídio, Alex é capturado pela polícia. Na prisão, é submetido à Técnica Ludovico, uma terapia cuja finalidade é reeducá-lo psicológica e socialmente, eliminando seus impulsos violentos e seu comportamento desviante, a base de imagens violentas e Beethoven como trilha. Uma experiência extremamente dolorosa e tão desumana quanto a ultra violência que o próprio Alex costumava praticar. A obra foi eleita pela revista Time um dos cem melhores romances de língua inglesa do século 20. Sendo um dos ícones da cultura pop do século 20, as referências ao livro e ao filme são incontáveis, nas mais diversas áreas: artes (dramáticas, plásticas, gráficas),
moda, esporte, comportamento e muito mais. Os seriados South Park e Os Simpsons, esbanjam referências a Alex e seus camaradas. Bono e The Edge, do U2, assinam a trilha da primeira adaptação musical de Laranja Mecânica. A banda Sepultura lançou, em 2009 o álbum A-Lex, totalmente inspirado em Laranja Mecânica e em 2011, até o estilista Alexandre Herchcovitch apresentou uma coleção inteira inspirada no filme. Poucas pessoas sabem, mas seis anos antes da consagrada versão de Kubrick, o livro já havia sido adaptado para o cinema por Andy Warhol, que se baseou na história para escrever o roteiro de “Vinyl”. Ao contrário do que se pensa, Anthony Burgess,
autor da obra, não reprovou a versão cinematográfica de Kubrick, mas não ficou muito satisfeito com o fato do cineasta em larga medida, ter se apropriado da história. Burgess não perdeu a oportunidade de fazer uma pequena maldade com Kubrick e na versão de seu livro para o teatro, um personagem fisicamente parecido com o diretor leva uma surra da gangue de Alex. O livro edição especial de 50 anos, lançado pela editora Aleph, é obra obrigatória a fãs e admiradores da boa arte. Inclui material extra composto por textos inéditos,
a maioria do próprio Burgess como texto restaurados e notas, como uma preciosidade curiosa onde ao citar o nome Elvis Presley no livro o autor se pergunta se o nome será conhecido quando o livro sair. Esta nova versão traz também m ensaio e dois artigos escritos por Burgess entre 1961 e 1973, nos quais explica a origem do nome "Laranja Mecânica" e o porquê de escrever o livro, além de comentar o filme de Kubrick. Há entrevistas com o autor e um texto introdutório da versão musical para os teatros. Cinquenta anos se passarão nestes cinquenta tons de laranja, onde o genial Burguess se imortalizou como um dos maiores escritores de todos os tempos e a obra se consagrou. No meio de tanta violência, aliás contemporânea, a criação do livro
pode ser considerada uma grande história de amor, já que foi escrito de forma intensa, quando ao receber um diagnóstico de um tumor na cabeça, Burguess, pensou no sustento de sua esposa pós sua morte e se dedicou plenamente na criação. O diagnóstico estava errado e o autor viveu até os 76 anos. Ao morrer, em 1993, deixou uma grande obra em quantidade e qualidade, entre romances, peças de teatro (inclusive a versão musical), estudos literários e roteiros de cinema e TV. A fusão de linguagens e idiomas para a criação de novos dialetos também é uma característica marcante de seu trabalho, sendo o nadsat – mescla gírias de gangues inglesas e palavras do idioma russo que deu vida a Alex e seus druguis – seu legado mais conhecido e até hoje revisitado. Para os cinquenta tons de cinza de sua massa encefálica, fica a dica destes imortais cinquenta tons de laranja.

A COVARDIA VIRTUAL

Você abre a porta de sua casa para qualquer pessoa entrar? E porque aceita estranhos em redes sociais? Meus caros, leitores, este é um mal que todos estamos vivenciando e eu, esta semana, fui vítima de um crime covarde e que todos estamos vulneráveis.
Como nunca recusei leitores em meu face, e registro aqui, que tenho respeito imenso por todos e quem já me escreveu (muitas pessoas) sabe que respondo todos emails e não nego novos amigos no facebook. Porém, fica o alerta a todos: cuidado com quem lhe adiciona. Facebook é uma ferramenta perigosa na mão de gente criminosa e de má fé. Lá dentro estão suas fotos, contatos, amigos, o que pensam e falam sobre você, e tudo que poderia ser uma grande casa aberta em clima de festa para se receber amigos, fazer parcerias, discutir ideias, projetos, pode se transformar numa máquina devastadora de calúnias, difamações, e o que tem de pior na mente humana. Há muitos usuários de facebook sem rosto, sem casa, sem nome e na maiora das vezes sem caráter algum. Pessoas que podem se apossar de fotos suas, informações pessoais e pelo simples prazer de prejudicar, sair utlizando-as da pior maneira. Exemplo disto é quando se postam fotos de um possível atropelador de ciclistas,
ou um agressor de cães, etc, e aí a comoção ignora a razão e todo mundo critica, compartilha, sem sequer saber se aquilo é real, se de fato estas pessoas fizeram isto ou são apenas vítimas nas mãos de covardes virtuais. Cuidado! Sempre que receber algo, se informe, busque, antes de compartilhar ou aumentar o coro de linchamento de alguém que você não conhece. Esta semana o Brasil viveu fato semelhante, mas na vida real e não na virtual. O caso da chacina da família do policial da ROTA, onde após investigação de um suposto homicidio em massa e depois suicidio do menino de 13 anos, a imprensa e populares horrorizados com "a atitude do menino", começaram a julgá-lo, porém começam a surgir evidências fortes de que tudo pode ter sido arquitetado por criminosos que tinham interesse em fuzilar a família inteira e aí como fica a imagem da criança que nem sequer esta viva para se defender? Há muito pano pra manga e a verdade virá a tona,
porque a polícia de SP é competente ao extremo para investigações deste porte. Mais uma vítima, sem defesa alguma. Vale lembrar também da Escola de Base onde os donos foram acusados de pedofilia, tiveram suas vidas destruídas e depois chegou-se à conclusão de que era tudo calúnia de um desafeto. Como consertar um vaso de cristal que se quebra com uma pedrada? Meus amigos, não abra a porta de sua casa à estranhos. O mundo é sim um bom lugar para se viver, mas existem muitas pessoas que infelizmente vivem sob uma nuvem negra, pessoas invejosas, maldosas e todos, repito, podemos ser vítimas disto. Sei que somos imperfeitos e que a árvore que cai faz sempre mais barulho do que um bosque que cresce, como já disse um sábio ancião, mas cabe a nós lutarmos para combater estas tentações de se achar juiz de algo.
Antes de avacalhar com a vida de alguém ou comprar uma briga que não é sua, pesquise, se informe, de onde vem a denúncia, de onde vem tanto ódio, porque tudo isto? O que é verdade ou não? Cabe apenas a nós e não a ninguém mais, tomar um partido em qualquer história, porém sempre pelo prisma da justiça e não da euforia de ser mais um no trem sem freios da discórdia e maledicência. Façamos do Face e de qualquer outra mídia social, um universo amplo para se obter conhecimento, lazer, cultura, amizades, mas não um campo minado onde amanhã a bomba pode explodir sob seus pés. A inveja meu caro é um brinquedo perigoso na mão de cafajestes e a internet apenas amplia esta “diversão”. Use-a com moderação, atenção e cuidado! Muito Cuidado!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A MARCHA DOS IMBECIS

É inegável que a visita do Papa ao Brasil trouxe mais resultados positivos do que negativos. Desde de João Paulo II, a Igreja não tinha uma aproximação tão forte com o povo e um líder tão carismático. Papa Francisco pregou humildade, paz e amor em discursos puros, coerentes e de extrema sabedoria. Ateus, agnósticos, evangélicos, umbandistas e outras religiões, se renderam à humildade e simpatia deste senhor.
Quem assistiu sua entrevista exclusiva pode notar no semblante cansado, a postura de um homem sábio e que está apto a fazer a diferença, mudando os rumos da história. O que precisamos no mundo de hoje é isto: alguém que faça a diferença. Tem gente que critica a Igreja pelos excessos ocorridos no passado e pela tenebrosa inquisição, porém o mundo não roda para trás e sim adiante e como disse acima, o tempo é de renovação. Se fossemos condenar eternamente instituições, países, pessoas, pelos erros do passado não haveria significado para o perdão e viveríamos em eterno caos distante de uma evolução espiritual. A Igreja já reconheceu seus erros e para nossa sorte, a inquisição foi abolida há séculos.
E convenhamos que hoje em dia entre tantos erros e acertos, a católica está longe de ser uma das “piores”, afinal quem aqui duvida que se Papa Francisco fizesse como alguns “líderes” famosos de religiões evangélicas e pedisse para os três milhões de pessoas abrirem suas carteiras e depositarem algo na conta da Igreja, ele não sairia daqui com aviões lotados de dinheiro? Ao contrário, num mundo onde o capital está acima até da fé e do amor, este homem pregou a humildade. Num mundo onde a violência sem sentido impera, eis que para nossa vergonha alheia, alguns manifestantes da Marcha das Vadias deram um verdadeiro show de horror em plena tarde ensolarada com atos que nada se diferem da inquisição, já que, como narcisos feridos, condenaram aquilo que não é espelho. Destruir agressivamente estátuas e imagens religiosas, me lembrou a violência de um pastor que chutava a estátua de Nossa Senhora chocando até quem não era religioso,
muito mais pelo ato de agressividade patética, do que pela fé. Vale lembrar, que o movimento das vadias é digno e de extremo respeito. Surgiu em 2011 no Canadá, em protesto contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro teriam provocado a violência por seu comportamento. Por isso, marcham contra o machismo, contando sobre os seus próprios casos de estupro. As mulheres durante a marcha usam não só roupas cotidianas, mas também roupas provocantes, como blusinhas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas sutiã desafiando esta teoria patética e machista de que a mulher induz o estupro e fazendo, com todo respeito, a manifestação mais digna e bela de se assistir, do que qualquer outra.
Esta manifestação sempre teve meu total apoio e sempre terá, agora esta micagem ocorrida no Rio de Janeiro protesta o que? Frases imbecis que por educação nem expor aqui eu posso, gritavam praticamente sozinhas entre elas e mais ninguém. As manifestações sérias lutam por mudanças e se houvesse uma alma pensante dentro destas, perceberia que a visita do Papa pode ser a mudança que tanto se esperou da Igreja. Francisco está quebrando dogmas seculares, ao proferir que ateus merecem o céu e que homossexuais tem total direito na sua opção. A verdade é que com tantos problemas no mundo, a cama está em primeiro lugar e isto para mim tem mais Freud do que Jesus em si. O problema é a frustração sexual em gênero, número e grau. O que interessa a opinião da Igreja na sua vida sexual?
Porque você se preocupa tanto? Qual sentido de “evaginar” uma imagem de santo? Já existem vibradores poderosos para acalentar esta solidão e insatisfação sexual, sem ferir a crença das pessoas. Para se obter respeito, deve-se oferecer respeito. A sua liberdade termina onde a do outro começa, e só assim poderemos viver em sociedade. Repudio aqui atos desta espécie e mesmo não sendo religioso, mantenho a postura de que o Papa veio para fazer a diferença e mudar os rumos da Igreja. Há muito mais problemas aqui no Brasil do que em seus ovários ou seu ânus laico.

DE VOLTA À IDADE MÉDIA

Eu tô começando a achar que o Brasil foi dar uma voltinha no DeLorean do Dr. Brown, pois o país praticamente parou na Idade Média esta semana para enaltecer o bebê real e o Papa, isto em pleno século 21. O que nos interessa nos dias de hoje a chegada de um bebê real? O Papa ou qualquer outro líder religioso ter ainda este poder sobre a humanidade não é algo a se discutir?
Antes que me atirem pedras na cruz, eu de maneira alguma estou criticando o Papa, muito pelo contrário. Apesar de ter nascido católico, mas com o tempo, ter me transformado em agnóstico, confesso que tenho a maior simpatia pelo Papa Francisco e acredito que no auge de sua humildade (ao menos é o que demonstra) ele também não deve concordar com todo este glamour de pop star que o concedem. Um exemplo claro disto foi quando o carro que o levava, numa projeção tipicamente brasileira, sem planejamento, colocou o líder da igreja católica num engarrafamento monstro no meio de toda a população. Para espanto das autoridades, Francisco, baixou o vidro, diga-se de passagem, na mão, porque era um carro médio, sem sequer vidro automático, e cumprimentou as pessoas com gesto explícitos de carinho. Eu sempre fui um tanto profético em desmascarar falsos paladinos e quem me acompanha sabe disto.
Foi assim com Lula, com Dilma, com algumas estrelas e falsos heróis que a mídia tenta nos socar goela abaixo. No caso de Francisco, eu arrisco a dizer que assim como João Paulo II, este senhor, de aparência simpática e de um discurso rico de carisma e humildade, veio para enfim mudar o quadro triste do Vaticano. Milhões de católicos mudaram de religião talvez por esta falta de humildade, contato com o fiel e acima de tudo, uma revisão urgente em dogmas criados exatamente na Idade Média. O Papa já mostrou que tem coragem ao destituir velhas hienas de cargos importantes no Vaticano e de lutar contra a corrupção do pequeno e riquíssimo país. Evidente que no Brasil, uma visita de tamanha importância acaba inflando egos e servindo de palanque eleitoral, como sempre.
A presidente, e não presidenta, por favor, e sua trupe de aproveitadores, não desgrudaram de Chiquinho um segundo sequer, a não ser quando ele se enfiou de carro no meio da população, enquanto quem rege o povo e se diz do povo, foi embora de helicóptero, ou quem sabe num avião da FAB que já virou Titia Augusta de chefes de governo. A classe política continua envergonhando e desprezando a nação e o seu clamor. O novo herói da mídia, Joaquim Barbosa, mostrou que humildade é o que lhe falta, ao ignorar Dilma em cadeia nacional, num ato de deselegância. Problemas pessoais não devem ser colocados à frente, ainda mais quando a nação está prestes a explodir. Joaquim não é herói. Ele fez no caso mensalão, o que é pago (e muito bem) para fazer e ponto final. Se bem que o deputado Jean Wyllys, que lembra um Cavaleiro que só diz NI, da Idade Média dos Python, com discurso eloquente e inflamado quando o assunto é homossexualidade e guerra contra a Igreja,
como se isto fosse um grande problema no país da fome, da miséria, desemprego e falta de educação, reclamou que o salário de R$ 26.723,13 para um deputado não é excessivo num país onde o salário-mínimo de um trabalhador, que tem a sua jornada maior que a de político é de R$ 678,00. O sujeito ainda teve a petulância de dizer que executivos de empresas ganham salários obscenos enquanto o dele, como deputado, tirando os descontos dá um valor idêntico ao que ele ganhava como professor. Bom, você aí professor que lê este artigo, ligue para o deputado agora e pergunte a ele se a vaga está livre, já que ele a trocou para ser um BBB. Quem sabe você dá esta sorte. No meio de tanta hipocrisia, eu saúdo as palavras do belo discurso escrito de próprio punho pelo Papa que disse: “Não trago ouro e nem prata, mas o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo." E que assim seja para todos. Sigam a única lei do Cristo homem ou deus: AMOR!