sábado, 25 de outubro de 2008

AND THE OSCAR GOES TO....VIOLÊNCIA BRASILEIRA


Estréia este final de semana nos cinemas o filme, Última Parada 174, nosso representante no Oscar e claro mais uma vez mostrando a miséria, a violência e claro nossas favelas que representam nosso Central Park, nossa Torre Eiffel nosso Notting Hill. É incrível como nosso país com cidades tão belas, monumentos imponentes, parques arborizados, bares descolados, pessoas interessantes, só consigamos vender a imagem em película pro exterior de que somos um país em guerra civil no meio de uma favela. Nada contra o filme, apesar de achar que esta história já deu o que tinha que dar e mostrada em detalhes no documentário Ônibus 174, mas será que desta vez a Academia se sensibilizará com nossas “histórias” ou vamos de te de juntar Zé Pequeno e Sandro pra fazerem um arrastão no meio daquela gringolada cheia de glamour e assim trazer nossa estatueta na mão grande? Fico imaginando a imagem que estes filmes fazem de nosso país. Quando estive nos EUA por um mês percorrendo cidades para gravar o CINELÂNDIA o que mais ouvi dos americanos foi: “Brasil lindo....mulheres....comida...mas muita violência....muiiiita...” Será este mesmo nosso retrato? Não sei ao certo se mulheres e comida pra eles eram uma coisa só, já que vendemos uma bela imagem de prostituição também ao exterior, principalmente com relação à prostituição infantil, uma triste vergonha (mais uma) de nossa pátria, mas o fato da violência é assunto constante na opinião de americanos quando se fala em Brasil. Esta semana que passou infelizmente - felizmente pra algum cineasta que já enxergou o OSCAR nesta história – mais um caso de violência que chocou e mobilizou nosso país: o caso da menina Eloá. Desta vez ao menos o roteiro de cinema já veio pronto na própria história misturando excelentes referências pra diretor nenhum reclamar. Um namorado abandonado resolve invadir a casa da namorada e discutir a relação. Adrian Lyne poderia escrever o roteiro, Arnaldo Jabor os diálogos e o Bergman dirigir a película, que poderia ser lenta, mas faria com que casais discutissem a relação pós-sessão. Porém uma arma carregada, uma terceira pessoa -uma amiga do casal- e um seqüestro declarado mudaram o rumo da história. Como se fugíssemos do cinema pra TV em questão de minutos, um Big Brother macabro é exibido quase em tempo integral por algumas e evidentemente editado por outras pra obter o efeito de reallity show. Uma hora as reféns gritam na janela, em outras aparecem sorrindo, depois surgem com óculos escuros, como se já fossem personalidades. Num certo momento um Al Pacino como negociador consegue que Lindemberg liberte uma refém, mas logo em seguida numa ação CORRA QUE A POLÌCIA VEM AÌ, ela é DEVOLVIDA pela polícia ao refém. Sem muitas esperanças de sucesso eis que surgem então Bruce Willis ou Clint Eastwood para botar ordem no terreiro e protagonizarem um desfecho feliz após muita emoção, ação e suspense, mas eis que contrariando as regras novamente, invade na tela a Loucademia de Polícia e o que se vê é uma piada de mau-gosto e com final trágico, conseqüência de uma ação tão atrapalhada que até o Inspetor Clouseau se envergonharia, caso estivesse à frente dela. Pra completar o roteiro uma dose de Almodóvar cairia bem, já que descobre-se que o pai da vítima é um procurado da justiça por ser acusado de liderar um grupo de extermínio, incluindo em seus homicídios a ex-mulher e o irmão de um chefe de estado. Este filme levaria o Oscar, podem ter certeza. No DVD poderiam ter finais alternativos. Num deles o Lindemberg era atingido no córtex e as meninas liberadas com vida, mas será que a polícia também não seria criticada por tirar a vida de um jovem trabalhador, sem ficha na polícia e que agiu desesperado pelo ciúmes? Em outro final alternativo, ele se entregava, escreveria um livro, viraria conselheiro do amor e as meninas protagonizariam a nova temporada de Malhação. Mas infelizmente o que vimos na tela da TV foi mais um final chocante, fruto de uma violência alimentada pela TV dia após dia. Pra fechar com um final digno de filme CULT, só faltou um dos apresentadores de programa policial na TV se emocionar e numa espécie de Darth Vader pós-moderno encarar o jovem Lindemberg e dizer: Lindemberg, EU SOU SEU PAI!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

MEU AMOR, POR FAVOR, VOTE EM MIM!


E terminam as férias do controle remoto e a alegria das locadoras de vídeo, afinal acabou o hilário eleitoral gratuito. Se bem que em algumas cidades ele se mantem em função do segundo turno, porém menor. Dá pra alugar um desenho na locadora ou fazer palavras cruzadas. Afinal a democracia brasileira nos obriga a agüentar um bando de malas sem projeto algum tentando vender a idéia mais absurda possível para faturar seu voto e claro depois faturar o principal: a grana! Porque convenhamos, se realmente estes tais candidatos tivessem interesse mesmo em servir a sociedade, não deveriam receber salários e mais extras, mas sim se tornarem voluntários. Pergunta para mim se teriam 850 candidatos? Se teriam reeleições? Mas é claro, vê se alguém que ama tanto a cidade como eles dizem, faria isto de graça? Teve um dos novos vereadores eleitos, que registrou em cartório, que doará seu salário. Uma bela atitude que deveria ser copiada pelos seus companheiros de pleito, ou neste caso de peito! Experiências como esta, na política, significam revolução e o povo tem de ficar atento a estes detalhes. É preciso coragem para mudar a história de que política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros, e se um homem provar que pode trabalhar sim, sem receber nada, pelo bem de uma comunidade, porque não lutarmos para que todos façam isto? Afinal, ninguém é obrigado a se candidatar. Aliás para alguns seria um grande favor a nós que eles nem se candidatassem. Basta analisar a campanha e verá que muitos conseguem com piadinhas sem graça ou uma gravação tosca de TV, chamar a atenção de eleitores que dizem votar numa figura destas por protesto. Como assim? Protesto? Não seria mais fácil votar nulo? É meio estúpido isto, como se você abrisse a porta de sua casa aos ladrões, só pra protestar contra a polícia. Em Guarulhos as eleições até que correram bem e algumas figuras hilárias não conseguiram entrar, o que é menos mal. Se bem que projetos deixaram a desejar e o que mais se viu foram jingles vitoriosos, cestas básicas distribuídas em favelas e claro, votos religiosos. Teve aqueles também que se achavam influentes na cidade, personalidades, uma espécie de estrelas de Hollywood, talvez porque Los Angeles copiou da gente o letreiro no morro. Algumas destas estrelas até com um número ridículo de votos. Se bem que ridículo é o português de alguns candidatos , que após serem derrotados enviaram emails de agradecimento que na verdade eram uma afronta à nossa língua portuguesa. Candidatos que se caíssem de quatro no chão nascia uma carroça nas costas. Tiveram também aqueles que pintavam Guarulhos como a melhor cidade das Américas. Claro, saúde ele usa hospital particular, escola o filho estuda em colégio particular, segurança ele tem seguranças particulares, enfim, pra ele realmente os serviços básicos da cidade funcionam perfeitamente. E os que tiveram ZERO votos? Já imaginou algo parecido? Nem o próprio cara vota nele. Sei que o voto é secreto, mas adoraria saber em quem estas pessoas votaram, pois ou o candidato é muito bom mesmo, ou eles assumidamente são tão ruins que desprezam o próprio voto de confiança. Uma pena que no Brasil os políticos ainda confundam civismo com cinismo. A maioria deles em seus discursos, se parecem com uma cidade cenográfica da Globo: é tudo fachada!
Por isto meus caros sete leitores, que com certeza votariam e mim e olha que eu já teria mais votos que muita gente que se achava importante (impotente) na cidade, não sei se a gente nasceu com uma puta sorte ou com uma sorte de puta, mas se o velho Descartes ainda estivesse vivo, mudaria sua célebre frase: “Penso, logo existo!” para “Penso, logo, desisto!”



PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 11E 12 DE OUTUBRO DE 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

REBELDIA ADMIRIVÁVEL



Na semana passada os céus de Hollywood ficaram um pouco mais escuros, já que uma de suas estrelas principais, se apagou. Morria Paul Newman, o eterno Indomável. Me lembra a canção de Vinicius que dizia: ahhh se todos fossem iguais a você! Paul Leonard Newman nasceu em 26 de janeiro de 1925, filho de um comerciante de artigos esportivos. Começou seus estudos de arte dramática após ter sido dispensado da marinha. Foi aluno do Actors Studios, que já formou gente como Marlon Brando e Al Pacino, e assim como estes dois atores, a primeira chance no cinema surgiu depois de ser visto na Broadway, porém achou seu trabalho tão medíocre que publicou um anúncio de página inteira num jornal pedindo desculpas a quem tivesse visto o filme. Esta era a primeira de muitas atitudes do indomável Paul Newman que ficou conhecido no Brasil após fazer o boxeador Rocky Graziano no filme Marcado pela Sarjeta. Daí pra frente se tornou um astro de Hollywood com um currículo invejável de filmes e de prêmios, entre eles o de melhor ator em Cannes pelo filme Mercador de Almas e depois dois OSCARS seguidos. Em 1985 depois de ser indicado dez vezes ao prêmio, levou a estatueta pelo conjunto de sua obra e aí pra surpresa de todos em 1986 levou pelo filme a Cor do Dinheiro, ao lado de Tom Cruise com trilha sonora de Eric Clapton. Uma de suas maiores parcerias foi ao lado de Robert Redford com quem fez Butch Cassidy e depois Golpe de Mestre, que levou Oscar de melhor filme. Seus últimos trabalhos no cinema foram os filmes Carros da Disney e Estrada para a Perdição. No primeiro emprestou sua voz ao personagem Doc Hudson e no segundo contracenou com Tom Hanks, e claro roubou a cena. Aliás a cena de seu assassinato é uma das atuações mais impressionantes do cinema onde um simples olhar diz tudo: ai está o GRANDE ATOR. Fora das telas, Paul Newman também teve uma vida digna de um belo filme, pois nunca foi adepto ao estrelismo de HollyWood e sempre se dedicou ao trabalho, seja ele como ator e diretor, ou como empresário, no comando da Newman's Own, fabricante de molhos e condimentos muito conhecida nos EUA, já que ao invés de promover algum produto usando sua imagem ele preferiu usá-la para promover o SEU produto. E deu certo, afinal ganhou muito mais dinheiro que no cinema, porém dedicou quase todo o lucro à obras de caridade e à sua equipe de corridas de Fórmula Indy, a Newman-Haas Racing, pois apesar de ser daltônico, Newman também foi um grande piloto, vencendo inúmeras provas, como por exemplo as 24 Horas de Daytona, aos 70 anos de idade. Na política, o indomável Paul tambem foi conhecido por seu apoio a causas liberais nos EUA. Nos anos 60, apoiou o democrata Eugene McCarthy (político dos hippies e contra a Guerra do Vietnã), estrelando diversos comerciais de televisão a favor do candidato, o que fez com que Richard Nixon, o adversário de McCarthy, o colocasse em 19º lugar numa lista de seus piores inimigos, o que fez Newman declarar que esta seria uma das maiores honras de sua vida. Ator magnífico, empresário de sucesso, altruísta convicto, foi vencido aos 83 por um câncer no pulmão, que Newman, assim como toda sua vida pessoal, manteve em segredo. Recebido com honrarias no céu pelo conjunto das obras em vida e não só nas telas, vai deixar saudades. Ao homem que nunca parou: descanse (se conseguir) em Paz!


PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 04 E 05 DE OUTUBRO DE 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Surpreendido em Bangkok


“Aquele que já não consegue sentir espanto nem surpresa está, por assim dizer, morto; os seus olhos estão apagados.” Esta frase é de Albert Einstein, o homem que surpreendeu o mundo com suas idéias e sua teoria da relatividade. Meus caros sete leitores, quem é que não gosta de ser surpreendido? Imagine você, minha leitora, recebendo um buque lindo de flores, do gato que te levou pra jantar na noite anterior. E você, meu caro leitor, no motel com sua namorada e ela esta com uma lingerie da Victoria Secrets, dedicada a você. Ou então, tu puxa seu extrato bancário e lá está um depósito de uma dívida que você achou que nunca mais receberia. Tu chega em casa e descobre que tua sogra se mudou pra Bismânia. Enfim, todo mundo aprecia ser surpreendido por notícias boas. Em contrapartida ninguém gosta de ser surpreendido de outra forma, como por exemplo ser flagrado pelo marido de sua amante, na cama dela amarrado pelas gravatas italianas dele. Ou descobrir que depois de uma bela evacuada, não há papel higiênico no banheiro. Entre outras coisas que não são agradáveis a nos surpreender. Porém, esta semana tive uma boa surpresa nos cinemas. Todos sabem que não sou fã de Nicolas Cage. Continuo achando ele um grande canastrão, mas de fato o moço as vezes me surpreende. Foi assim em Despedida em Las Vegas e assim em Senhor das Armas (aliás dois roteiros que sou apaixonado) e desta vez o moço me surpreende no intrigante e sombrio Perigo em Bangkok, onde Nicolas faz um assassino de aluguel em crise existencial que se apaixona por uma surda muda em Bangkok, que evidentemente irá interferir no seu bom desempenho profissional. Ossos do ofício, claro. Apaixonou, se ferrou e claro prepare-se: será surpreendido! Pode ser com uma gravidez indesejada, com um pedido de casamento, com uma belo par de chifres, ou quem sabe com algum membro extra em sua “amada” assim como um certo craque de futebol foi surpreendido logo por três, mas isto é outra história, que já não surpreende mais a ninguém. Voltando ao filme, o roteiro é bem amarrado, a trama envolvente e a maior surpresa: Nicolas ta mandando bem na atuação! Ta certo que não é nenhum personagem complexo de se fazer, mas vindo de Cage, até que é uma atuação digna de prêmio e desta vez não é Açaí de Lata. O final também surpreende, pois não é daqueles óbvios, como de costume em Hollywood. Este desperta atenção e não é nada previsível. Fui surpreendido e recomendo a todos este bom filme. Mas por falar em surpresas, como estamos bem perto das eleições, insisto no tema, porque convenhamos, por mais que você não se importe é isto que decide boa parte do seu futuro por quatro anos, você querendo ou não, então pense em como surpreender certos candidatos. Que tal surpreender aqueles candidatos com os malditos jingles chiclete, de mal gosto e porque não mal educados, que ficam gritando no seu ouvido diariamente? Você pode surpreende-los com a resposta perfeita pra eles: o silêncio! Sim, o silêncio que você tanto clamou ao ouvir estas versões de péssimo gosto dilatando suas orelhas, você responde na urna. Seu dedo em silêncio, se recusando a votar nestes malas sem alça e sem o menor respeito por você. Outra forma de surpreender candidatos é você fazer no dia da eleição, o que aquele candidato que hoje lhe aperta a mão e lhe dá abraço na rua, faz com você fora de eleição, que é ignorá-lo. Então, tu faça igual. No dia da eleição, ignore-o! Ele nem vai ficar sabendo, e mesmo se ficar, quem se importa, afinal você nunca mais vai vê-lo mesmo nos próximos quatro anos, quer ele vença ou não. Mas a melhor forma de surpreender mesmo é fazer com que candidatos que já se considerem vencedores, se coloquem em seu devido lugar, que não seria o das cadeiras almejadas e sim o divã de um analista para refletir as graves consequências de seu egocentrismo. Sabe candidatos que ignoram por completo seu direito à informação e nem sequer comparecem a debates ou nem fazem comício, nem apresentem projetos, nada. Aqueles que já se candidatam vencedores? Então, estes, você tem de surpreendê-los e deixar a humildade dar-lhes a maior lição de suas vidas ao perceberem que nunca em um jogo ou em uma eleição a vitória já existe antes do final. Surpreenda-se sempre e aprenda principalmente a surpreender, meu caro amigo, afinal de surpresas se bota o mundo pra girar, sejam elas boas, sejam elas más, o importante é surpreender sempre mais do que ser surpreendido!



PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 27 E 28 DE SETEMBRO DE 2008

sábado, 20 de setembro de 2008

ESCÁRNIO SOBRE A CEGUEIRA



Imaginem uma Av. Paulista com táxis comuns se misturando a taxis “gringos” e a população inteira falando inglês, quando de repente alguém fica cego e não é você espectador que vê, mas não vê São Paulo na tela, mas sim uma epidemia de cegueira que começa a assolar a tal “cidade imaginária”. A solução é isolar os novos cegos numa espécie de Carandiru, onde você pensa que já viu este filme. Imagine um casal em crise, um negro, um japonês, uma prostituta e uma criança que juntos, tentam salvar o mundo. Você também já viu este filme. É mais um de Spielberg? Não desta vez é nosso Fernando Meirelles, que eu admiro e muito, mas acho que não acertou a mão numa direção meio cabra cega de uma obra brilhante de Saramago: “Ensaio sobre a cegueira”. Aliás, contrariando a vontade do autor, o maior erro de Fernando foi ceder às criticas ferrenhas e tirar a narração de Danny Glover do filme. Pois além de cego o filme ficou mudo e a platéia surda! Saramago aconselhou Meirelles a manter a narração e o diretor optou por não ouvir o criador da história, mas em contrapartida ouviu seu roteirista e ator no filme (o personagem do ladrão) a incluir uma (das muitas) cenas ocas e desnecessárias quando após roubar o carro de um cego, o ladrão, do nada resolve voltar pra ajudar o cego e depois some de novo numa das cenas mais vazias do filme. O trabalho de atores também ficou devendo uma vídeo-aula com o filme Perfume de Mulher e Al Pacino ensinado como interpretar cego, porque o que se vê na tela é aquela encenação piegas de Criança Esperança, sabe? Só faltou a Xuxa com um clássico de Sullivan e Massadas ao fundo. A larga experiência de Fernando com comerciais às vezes ajuda e em outras atrapalha, confunde. A cena dos cegos na chuva é tipicamente C & A. Só faltou o Sebastian surgir na tela e dizer que cego esta o gerente da loja com os preços baixos que anuncia. Em outra cena, Alice Braga (de novo nua), Juliane Moore e uma outra atriz tomam banhos juntas num papo típico de propaganda de absorvente, sem contar o tom do filme todo na linha mortos vivos nonsense da Pespsi, lembra? Dá dá dá! Pra completar o show, ainda há cenas “tributo Zé do Caixão” com cachorros de rua comendo pedaços da carne de um pobre moribundo. O filme se torna um festival de clichês e Fernando por ser um cara inteligente, bacana e absolutamente independente não deveria dar ouvido à críticas e principalmente ao que o público de teste pensa, porque cinema é mosaico. Cada um vê de um jeito e o que tem de prevalescer sempre é visão dele, o diretor! Eu acredito que as mudanças a que ele se rendeu, estragaram o andamento do filme, que no todo, me perdoe a honestidade não é um bom filme, mas poderia ser, pois a idéia de Saramago é apocalipticamente interessante.
Gael Garcia domina os poucos bons momentos do filme, mas nem ele e nem a Juliane ex-ruiva e agora loira e a cara da Madonna Moore salvam o filme. Cansativo, lento, chato, o filme deixa a platéia cega....de sono. Saramago não usa parágrafos, porque fala tanto quanto escreve e o filme peca nisto...é mudo...calado...sem sentimentos. Bem distante do livro. Um filme completamente cego. Assim como é cego nosso comitê Olímpico e nossos empresários que ainda não enxergaram o real valor de um atleta e do que o esporte representa a um país, afinal o vexame das Olimpíadas não é culpa dos atletas e sim da falta de investimentos, menos, claro pro futebol, que ali sim é um bando de cegos que só enxergam a cor verde-dólar e mais nada à sua frente. Porém o time de cegos reais mesmo, fez bonito e trouxe a medalha de ouro das paraolimpíadas, onde aliás o Brasil deu show! Uma salva de palmas aos atletas portadores de deficiência que provam que deficiente mesmo é aquele que não quer ver, que não quer agir. E por falar em cegos que não querem ver, lembrem-se que outubro está chegando e ta na hora de enxergar quem vale seu voto, quem vale a sua confiança. Pense! Não acredite em foto montada, em programa comprado, em jingle idiota e muito menos vá atrás de pesquisa. Enxergue fundo. Se tu é capaz de ver: olhe! Se for capaz de enxergar: observe!



PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 20 E 21 DE SETEMBRO DE 2008

sábado, 13 de setembro de 2008

Frutas de Plástico


Meus caros ilustres sete leitores, que o Brasil é um país geométrico, estamos cansados de saber. Afinal, temos problemas angulares, discutidos em mesas redondas, por um monte de bestas quadradas. Mas como se não bastasse, somos regidos também por uma forma geométrica: a bunda! Aqui tudo não acaba em pizza, como aprendemos, mas sim em bunda. Ou passam a mão na sua bunda, ou você leva um pé na bunda ou então aceitamos tudo hipnotizados por uma bunda. Há uma dinastia perene, que passou já por rainhas Gretchens, imperatrizes Cadilacs, princesas Carlas e Sheilas e agora mais recentemente “lacaias” Melancias. Onde isto tudo vai parar? Onde costumam parar as “coisas” lançadas pela bunda? Então é pra lá que estamos indo, meus caros. E ninguém vai nos salvar desta fossa, pois somos carentes de heróis. No esporte, nosso último herói foi o Senna, na literatura temos o Paulo Coelho, que permanecerá sempre entre nós, pois assim como a bunda, ele também é imortal, mas longe de ser o herói, na música nossos heróis morreram de overdose, na política nosso último grande herói foi...é...huuummm...deixe-me ver....bom, neste caso, eu fico com a bunda. Mas como a coluna fala de cinema, vamos lá então. Nosso herói no cinema é....Não vale Bruce Lee, Stallone, ou pra você minha leitora bonitinha, o Brad Pitt. Falo de herói nacional. Quem é? Alguém? Ninguém, né? Então vou melhorar a pergunta: A nossa musa do cinema foi Sônia Braga e hoje quem é? Quem são? Perceberam? O Brasil continua carente de ídolos, heróis, e o pior, não temos musas, por isto quem carrega o brasão da nossa pátria e se transforma em diva, é quem tem uma bunda dissonante. Apesar de não gostar nada de futebol, achar carro apenas um simples meio de transporte, nunca ter pisado num bordel, não ficar contando vantagem sobre as mulheres que me relaciono e achar a mulher melancia baranga, eu sou homem! Acreditem! Hetero convicto! Mas no Brasil se o cara não tem estes predicados e pior, se não acha a melancia um tesão, então não deve ser macho. Parafraseando o poeta Vinicius, as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental. Sabemos que até existem umas feias potáveis, mas a maioria só serve mesmo para fazer sabão. E no meu tanque o sabão tem cheiro de melancia. É inadmissível transformá-la em musa. Nem minha miopia me trairia. Ela é baranga. Musas, fora nossa eterna Soninha Cravo e Canela (e as eternas divas da pornochanchada), acho que ficamos só com o cinema americano mesmo e suas divas que invadem nossos sonhos até hoje. A vizinha Marilyn Monroe, a dama de vermelho Kelly LeBrock, a mulher nota dez Bo Derek, a pantera Nastassja Kinski e a eterna Barbarella Jane Fonda, que até hoje ronda meus pensamentos. Estas são musas. Ficam tatuadas em nosso cérebro. Mulher não deve ser avaliada por uma bunda e convenhamos, no caso da melancia uma bunda feia. Mulher é o todo. O conjunto da obra. Aliás não haveriam lindas canções se não fosse pelas mulheres. Poesias, obras de arte, gols de placa, viadutos, colunas de jornal....tudo no final das contas é dedicado a uma (ou a várias) mulheres. Elas são a principal causa da beleza deste mundo, porque todo homem que se preze faz algo interessante só pra conseguir levar uma (ou várias) mulher (es) pra cama. O que seria do cinema se não fossem as mulheres? Ou então se o cinema fosse avaliado como aqui, pela bunda, John Stagliano levaria Oscar ano após anus...ops, ano! Então vamos deixar de balela e lembra que frutas de plástico inesquecíveis, só mesmo as que Carmem Miranda usava na cabeça, porque este exército de silicone com nome de frutas não vai invadir o meu erotismo. Fico ainda com as belas da tarde, as meninas do lado, as lolitas, as Sharons, as Julianes, as Nicoles, estas sim fazem uma bela salada de frutas. As mulheres morangos são bonitas, vistosas, mas estragam com facilidade. As mulheres maçãs fáceis de encontrar e dão o ano inteiro. As mulheres goiaba já vêm todas bichadas. As mulheres jaboticabas quando se comem demais dá mal estar. E mulher melancia pra mim é redonda, pesada, cheia de caroço e dá pra mais de 20 comer sossegado. Então, frutas são como havaianas e eu fico só com as legitimas, que dão um bom caldo. Mulher pra mim não é fruta, é arte! E só há três coisas que um homem pode fazer pelas mulheres: amá-las, sofrer por elas ou transformá-las em arte. No caso desta coluna, em literatura, já que a mulher é a poesia de Deus e o homem a simples prosa. Já que elogiei vocês todas então façam o favor de me ligar este final de semana porque deu uma vontade de tomar um suquinho de frutas!



PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 13 E 14 DE SETEMBRO DE 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

MILUJI TE*


Meus caros sete leitores, eu não sou adepto da pirataria, mas o que fazer quando o filme que você tanto amou, não foi relançado em DVD? Caso do excelente The Commitments de Alan Parker, que fui obrigado a baixar pelo e-mule para revê-lo, pois não encontrei em lugar algum. Nem em VHS pelos sebos da cidade. Então estou perdoado!O filme conta a história de uma banda de baile, desde sua formação inicial até o fim da banda (a trilha sonora é fantástica) e o interessante é que ele foi feito por atores desconhecidos e todos eles, músicos. Usei The Commitments como pano de fundo para apresentá-los ao ator Glen Hansard,coadjuvante no filme de Alan Parker e protagonista do filme que motivou a coluna de hoje: ONCE – Apenas uma Vez.
O filme recebeu inúmeros prêmios, entre eles a estatueta do Oscar de Melhor Canção Original, que foi composta por ele mesmo, nosso ator/músico de hoje, Mr. Glen Hansard. O filme foi rodado com um orçamento baixíssimo, quase que nos padrões da turma do Dogma (movimento dinamarquês que apostava no roteiro e na interpretação, ao invés da qualidade técnica), e conta a história de um músico de rua que após ser abandonado pela namorada se apaixona por uma imigrante vendedora de rosas (Marketa Irglova), que também é pianista. Quebrando todas as regras de Hollywood, os personagens não tem nomes, não transam, não ficam numa verborragia desenfreada como a de Ethan Hawke e Julie Delpy no “cabeça” Antes do Amanhecer (um de meus filmes favoritos) e muito menos fecham a cena com o eterno beijo Happy End. Muito melhor que isto tudo, o filme transborda em sentimentos puros. O s atores falam e alto, apenas com os olhares. Já os diálogos são traduzidos em canções, transformadas em elo de ligação entre o casal de músicos, que se encontram naquela idade em que as pessoas têm que deixar os sonhos de adolescência de lado e cair na real para sobreviver num mundo hostil, duro, que não perdoa os românticos, como eu...ou como nós, meus caros sete leitores! Com uma trilha sonora altamente recomendável, que nos remete muito ao trabalho do suicida Nick Drake (recomendo e muito), com sua melodia folk e letras profundas que ferem ou alimentam a alma de pessoas sensíveis como vocês, meus sete leitores...ou como eu...o filme tem um tom de documentário e é belamente fotografado pela câmera digital sem tripé do diretor John Carney, que aliás era baixista da banda onde Glen hoje é guitarrista e vocal, ou seja, claaaaro que o filme é autobiográfico, tanto que o vídeo-clipe que o protagonista assiste com imagens de sua ex, na verdade são vídeos caseiros da real ex do diretor Carney. Simples, direto e emocionante, “Once” conquistou crítica e público e tem tudo pra se tornar um CULT do cinema irlandês (ou seria cinema mundial?). O grande segredo deste sucesso está no uso inteligente da música visceral, completamente orgânica composta pela dupla de protagonistas e claro na ousadia e sensibilidade do diretor. O resultado é uma produção pequena, honesta, o tempo todo realista, mas sem abrir mão do romantismo. Seria uma aforismo à vida??? Uma dose de esperança ao amor em sua magnitude? Um ode ao amor correspondido mas nunca consumido?? Num pais como o nosso que ainda engatinha no cinema e dependemos teoricamente de projetos de lei de incentivo para realizar nossos sonhos em película, talvez o filme nos dê uma cutucada no lema “do it yourself”, lembrando-nos de que uma boa idéia na cabeça e uma câmera na mão, ainda podem e devem fazer a diferença.



* EU TE AMO em tcheco

PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 06 E 07 DE SETEMBRO DE 2008