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segunda-feira, 3 de maio de 2010

SEXO NO CINEMA? OK, MAS DEIXA O FILME COMEÇAR



Woody Allen disse uma vez que só existem duas coisas importantes na vida. A primeira é o sexo e a segunda ele não se lembra. Vindo de um mestre da sétima arte acho que esta frase cai bem como prefácio desta coluna que tenta avaliar uma parceria de longa data: sexo & cinema.
Desde que a atriz Audrey Munson (foto do título) arrancou a primeira calcinha frente às câmeras, isto em 1915 no filme Inspiração, o erotismo no cinema vêm tomando proporções irrefreáveis para a sorte dos voyeurs do mundo todo.
O erotismo é a nossa eterna vontade de negar a morte,a nossa afirmação da vida. O erotismo pertence ao sagrado e se diferencia de sua prima-irmã, a pornografia, apenas em aspectos estéticos e éticos, num conteúdo mais implícito do que explícito, apesar do cinema algumas vezes ser protagonista de grandes obras unindo estas duas vertentes, como o caso de “Por trás da Porta Verde” e “Garganta Profunda”, grandes clássicos do cinema erótico. O cinema mundial resgata ainda a estética do sexo, que nos torna receptivos à um repertório quase infinito de emoções eróticas, afinal a arte é cúmplice do amor. Tire o amor, o desejo, e não haverá mais arte. E sem a arte não há nada! Levantando esta bandeira (sem trocadilhos metafóricos), autores, diretores e acima de tudo atores vêm nos alimentando nestes quase um século de erotismo e sedução por este buraco da fechadura mágico que é o cinema. Claro que o sexo no cinema – não dentro das salas, apesar de recomendá-lo se agirem com discrição - também nos é oferecido em diversas vezes de maneira superficial que mais insinua o fato do que o explora, quando surge no ar aquele clima barato de romance, uma música sexy ao fundo, uma cama, cenas feitas sob uma câmera nebulosa, com cortes parciais feitos sob medida para a sessão da tarde, criando assim o erotismo grosseiro, ralé e censor, mas ainda bem que existem roteiristas criativos, diretores ousados e atores audaciosos que topam ir um pouco mais longe do que o casual e nos transportar para um universo paralelo erótico com cenas que permanecerão tatuadas em nossa memória e em eterna exibição na tela de nossas fantasias sexuais, por longa data, alimentando-nos a imaginação e nos enriquecendo como amantes. Estrelas como Angelina Jolie, Nicole Kidman, Kate Wislet, entre uma infinidade de outras mais, doaram-se aos respectivos personagens, a ponto destes dividirem conosco momentos de extrema intimidade, nos tornado cúmplices de seus desejos mais obscuros. O mestre Buñuel já afirmara que:“Todo desejo tem um objeto,que sempre é obscuro. Não existem desejos inocentes”. São estes momentos – aulas – excitantes que ficam imortalizados em celulóide. Podem ser sensíveis,constrangedores, bizarros, agressivos, cômicos, proibidos e porque não todos estes em uma só cena. O cinema nos dá margem às mais diversas fantasias, de grande importância na nossa vida sexual, pois nutrem nosso desejo e amplia as nossas diversas motivações para o impulso sexual, fornecendo-nos assim uma vida mais saudável e plena. Afinal, sexo é saúde, meus tarados sete leitores. E o cinema uma ótima vitamina para isto. O sexo é uma das vastas alegrias que a natureza nos proporcionou, é um presente distribuído de forma democrática e que só depende de nossos corpos – e para os mais avançados, de nossa mente, é claro - algo que merece ser celebrado, mas que, apesar de sua qualidade humana desde os primórdios do mundo, tem sido vítima de algo também humano, como a hipocrisia, que insiste em transformar uma dádiva em pecado mortal. De todas as aberrações sexuais, com certeza a mais singular talvez seja a castidade e a mais covarde, a castidade disfarçada. O próprio cinema nacional tentou escapar da atual “castidade disfarçada” na época da pornochanchada, onde éramos mais liberais e menos hipócritas. O que é mais belo e menos vulgar? Angelina Muniz ou Tati Quebra Barraco? Me parece óbvia a resposta e lamentável por nos mostrar onde chegamos. Mas eis que nossa liberdade de expressão e acima de tudo, nossa liberdade de escolha, hoje nos abre portas – verdes aliás – para alimentarmos nossa libido com vitaminas vastas – filmes – ou manter-nos empanturrados com este junkie food de funks e axés,trasnbordando misoginia e reality sexy brega shows, entre outras outras formas de pornografia grotesca e brochante, que nos deixa abaixo de cachorros grudados numa esquina, quando o assunto é sedução e erotismo. Abaixo a vulgaridade e um brinde a toda forma de erotismo e todas as suas vertentes artísticas, sejam elas quadrinhos, pinturas, poemas, contos, ou no nosso caso belas imagens cinematográficas. A fantasia será sempre a mola propulsora de nossa satisfação sexual. Gozem em 24 quadros por segundo e mantenham a tela de seu prazer sempre em movimento!