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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

OS NOVOS PECADOS CAPITAIS

Assim como refizeram a lista das sete maravilhas do mundo, incluindo eleição popular para tal, creio que tenha já chegado a hora de eleger os sete novos pecados capitais, porque de outrora já estão ultrapassados. Eu tenho algumas opções novas: a mentira, a fofoca, a covardia, a injustiça, a estupidez, a falsidade e a inveja, que apesar de ser confundida com avareza, nunca esteve na lista atual de pecados.
Avareza é querer os bens de alguém. Inveja é querer ser este alguém ou impossibilitá-lo de ser feliz, pelo incomodo que isto ocorre ao invejoso. Ultimamente o Brasil vem ilustrando muito estes “pecados” que passam despercebidos, mesmo destruindo a alma de quem os comete e por vez, de suas vítimas. As vezes podem vir até seguidos, numa espécie de trem do pecado, que pelo título, não é filme de pornochanchada, infelizmente, porque seria no mínimo mais proveitoso. A questão é que as vezes o sujeito faz uma fofoca, baseado claro, numa mentira, agindo de extrema covardia pondo sua vítima numa situação de injustiça, sem direito sequer à defesa, tudo arquitetado pela estupidez e falsidade, por um único e real motivo: a inveja. Quem aqui já teve sua vida tumultuada e seus dias sombrios por tais artimanhas
rivais, há de convir que a gula, a luxúria e a preguiça não incomodam tanto assim. A mídia como um todo, talvez uma grande academia para pecado, promove todo santo dia tais atitudes. A covardia tem andado de braços dados com a injustiça e a estupidez nesta passarela de absurdos. Tomando como exemplo um caso que abalou esta semana se tem noção de onde chegamos. Um bandido, extremamente violento e armado, rouba uma moto e ao ser autuado por um policial tenta reagir, é alvejado e pronto, se torna mártir dos direitos humanos. Maior estupidez associada a injustiça, confesso que nem a mais brilhante mente criativa teria imaginado. Se o policial morre no confronto, ninguém comenta e ponto. Se a vítima morre no assalto é apenas mais um número de estatística e fecha-se o livro. Agora o criminoso é alvejado (não morreu) e aí surgem Dalai Lamas e Madres Terezas de todas as partes para defendê-lo. A covardia de criminosos
se reflete no espelho da estupidez de seus defensores. Quem lucra com a defesa de um crime, além do advogado? No caso do tal profissional eu até compreendo, apesar de achar em diversos casos, imoral. Na outra face da moeda, claro, existem também alguns policiais covardes e estúpidos, lembrando que esta parcela é uma minoria e que não devem manchar o nome da instituição que admiro. Ontem mesmo dois casos me chamaram a atenção. Num deles, um motorista de ônibus no RJ, em plena função, era espancado por policiais, inocentemente de uma maneira covarde, assim como foi covarde o assassinato de Amarildo, que nenhum bom samaritano virtual tomou as dores. No outro caso, um colega de profissão aqui do Metro News foi agredido de forma estúpida por um sujeito de farda (me recuso a chamar alguém assim de policial, pois não é digno da profissão) por pura maldade e claro, olha ela aí: covardia. Onde pretendemos chegar com isto? Se você mente, faz fofoca, é invejoso, age com covardia, se esforça para ser cada vez mais estúpido, é injusto e trata a todos com extrema falsidade, o que espera de sua vida? Sei que sinceridade é algo que não existe em seu pobre dicionário,
mas ao menos, se olhando no espelho você fica isento de um antigo pecado capital: o orgulho. Porque convenhamos, teria orgulho de que? A imagem falsa e suja que você vende é como carro de agência picareta. Por fora belo, coberto de massa, mas por dentro tudo apodrecido e sem salvação. Como a vergonha ainda não é considerada pecado, eu tenho vergonha alheia destas pessoas que se prezam a papéis ridículos para atingirem seus estúpidos objetivos. A vida não está fácil para ninguém, mas ainda tenho a utopia de um mundo mais justo, sincero, onde a fofoca, este fruto da inveja, seja extirpado e as pessoas tenham a coragem de serem honestos, ou então viverem eternamente chafurdando na lama da estupidez. Que os 14 pecados sejam trocados por quatro simples letras: A-M-O-R!

O INDELÉVEL SORRISO DE CHOCOLATE

Semana da criança e como costume, o facebook fica parecendo o anuário de uma escola primária. Fotos e mais fotos de crianças lindas (ok...nem todas) e sorridentes para animar os perfis dos usuários e claro, na pior das hipóteses, transformar o FB num paraíso para pedófilos. Alguém turrão que não consegue sorrir há tempos como na foto que postou, vai achar minha piada de mau gosto, claro.
O fato é que as pessoas ao envelhecer (claro que há exceções, como em tudo na vida) vão se tornando sem graça, sem brilho, porque perderam o espírito infantil. Muitas raciocinam como criança, mas no sentido da estupidez movida pelo despreparo da idade. Isto não é bom. Já sorrir como uma criança e conseguir enxergar o mundo com olhos brilhantes de guri seria o ideal. Eu proponho um teste para a próxima semana da criança em 2014. Que tal ao invés das fotos de crianças nos perfis, seus usuários não tentem agir como tais, transformando a rede social por uma semana num gigantesco parque regido por crianças? Muitos vão dizer que isto já ocorre, mas não confundam agir com a inocência e a verdade de uma criança, com a estupidez e a mentira de adultos que interromperam o processo de formação intelectual por pura preguiça e não por poesia. O que proponho é um mundo (virtual que seja)
que por uma semana seja articulado pela alma de uma criança e que suas atitudes, sejam elas quais forem, fossem pensadas tal qual você tinha seis, oito anos, ou a idade da foto que você postou. Quantas pessoas você prejudicava com esta idade? Quantos amigos você traiu nesta idade? Quanto desprezo você teve por seus pais ou por pessoas que lhe amavam, quando estava nesta idade? Com raras exceções de quem cresceu na rua ou sofreu abuso infantil, acredito que o ar de felicidade seria massante no Face, assim como a enxurrada de fotos e pequenos sorridentes. E se estendêssemos esta tal semana imaginária para nossas vidas reais. Já imaginou você ter a liberdade nesta semana, sem que seja internado em algum asilo para loucos,
de poder ir trabalhar vestido de super man? Poder agendar uma reunião de negócios não num restaurante esnobe, mas sim numa sorveteria de bairro? Poder enviar um bilhetinho de amor para aquela colega de trabalho, sem que isto seja considerado assédio? Imagine você fugir do trânsito caótico e poder ir trabalhar de bicicleta, vestindo apenas shorts, camiseta, chinelo e um boné? E se ao invés de você criar um círculo de fofoca para falar mal de suas amigas, você as convidasse para tomar um chazinho imaginário em sua casa de bonecas? Já imaginou uma guerra declarada onde bombas seriam apenas as de chocolate? As opções são inúmeras e na minha loucura “infantil” eu tenho toda a certeza de que ao menos uma semana por ano seríamos todos, muito mais felizes. Que o espelho de sua casa possa refletir todos os dias aquele belo sorriso que você deu na infância. Que seus dias tenham cheiro de Lollo e não de monóxido de carbono. Que a inocência de sua infância, onde reinava o amor por todos os seres seja bem mais forte que sua malícia de adulto e toda sua astúcia para derrubar o próximo.
Muitas pessoas, depois que crescem, deixam de ver as coisas como viam na infância, esquecendo de que a imaginação não é algo restrito às crianças. Basta praticar e voar alto como nos ensinou J. M. Barrie, uma eterna criança, com seu clássico livro Peter Pan. Você pode ser como Wendy, mantendo sua inteligência em evolução, mas jamais perdendo sua sensibilidade infantil e jamais deixando de crer nas fadas (alusão clara para sua fé) ou pode ser como Peter, se mantendo eternamente jovem e rebelde contra as imposições “adultas” que sirvam apenas apara amputar seus sonhos e desejos. Qualquer uma das duas opções seria muito mais saudável à mente e ao corpo do que ser um eterno capitão Gancho, fugindo do crocodilo Tic Tac, o tempo, que nos devora pedaço a pedaço nos transformando numa eterna caricatura daquilo que repudiávamos. Desejo, meu bom leitor, que o vento da infância jamais deixe de soprar na sua alma. Feliz dia das crianças!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O JARDIM DE GENTE

Tem gente que tem o dom. O dom de fazer sorrir enquanto outras tem o dom de fazer chorar. Tem gente que tem orgulho do sucesso dos amigos, enquanto tem gente que tem inveja. Tem gente que tem o dom de ganhar dinheiro, enquanto outros tem o dom de distribuir dinheiro. Afinal dinheiro, como o antigo provérbio já dizia é como esterco.
Se espalhado aduba a vida, se é guardado a sete chaves, fede e não serve para nada que preste. Tem gente que tem o dom para ser popular enquanto outros só nascem com o dom para ser famosos em quinze minutos que as vezes duram sem sentido, bem mais que isto. Tem gente que tem o dom de coordenar e tem gente que nasce só para mandar. Tem gente que nasce ensolarada iluminando quem nasce sob nuvens negras e carregadas. Tem gente que nasce para dançar enquanto tem gente que nem sequer é capaz de ouvir a música tocando. Tem gente que escreve palavras de amor e outras que não sabem ler ou não se interessam por nada além de números. Tem gente que tem o dom de curar enquanto tem gente que fere. Gente que sabe e ensina a amar até aqueles que só sabem odiar. Tem gente que faz poesia e gente que faz fofoca. Gente que compõe canções e gente que compõe desafetos.
Gente que cria espetáculos e gente que cria bombas para matar. Tem muita gente engraçada, mas tem muita gente chata, sem tempero algum. Tem gente pequena que é gigante e tem gente muito grande que é pequena demais. Tem gente que sabe até morrer enquanto tem gente que mal sabe viver. Tem gente que escreve bíblias com seus atos enquanto outros apenas repetem a já escrita, feito papagaios, sem seguir nada do que se lê. Tem gente que ama ver o pôr do sol pela janela e tem gente viciada apenas na mentira da janela televisão. Muita gente tem o dom de ser feliz. Outras tem o dom de ser infeliz. Tem gente pobre que é rica e tanta gente rica que sempre será pobre. Tem gente que dá, mas tem gente que rouba. Tem gente sempre pronta a ajudar até gente que já nasce pronta para usurpar. Gosto de gente que sabe valorizar, mas valorizo até quem sabe criticar. Gosto de gente que sabe respeitar, e respeito até quem sabe reclamar. Tem gente que nasce arco-íris e dá esperança a quem nasceu tempestade. Tem gente que governa para muitos enquanto muitos governam apenas para si.
Tem gente que se entrega em prol de uma boa causa. Tem gente que ignora boas causas, pois a única causa que interessa é a que lhe enriquece de vil metal. Tem gente que planta educação e tem gente que semeia ignorância. Tem gente de tudo que é gente. Gente boa, gente má, gente humilde, gente arrogante, gente elegante, gente deselegante, gente educada, gente sem modos, gente que ama criança, gente que violenta crianças, gente que beija, gente que cospe, gente que se abre, gente que se fecha, gente que se doa, gente que não presta. Nos supermercados desta vida, tem gente de todo tipo, tamanho, forma, gosto e claro, preço. Mas no feirão livre da boa vontade tem gente pura, gente madura, gente que faz bem e que não custa nada. Gente é gente, não importa a procedência. Gente bonita, gente feia, gente gorda, gente magra, gente culta, gente burra, gente branca,
gente negra, gente sincera, gente falsa, gente corajosa, gente covarde, enfim, gente como a gente. O mundo é um grande jardim de gente. Há perfumes cheirosos, outros nem tanto, há beleza nas formas, outras não, há espinhos, há frutos, mas na pintura vista do alto, bem distante da gente, ainda aparenta ser um belo e precioso jardim. Um jardim de gente. Gente que nasce com dom para o bem ou para o mal, não importa. O que importa é como esta gente se desenvolve. Há muito tempo atrás iniciamos um processo de evolução ao invetarmos a roda. Hoje basta se inventar o caminho. Caminho que leve gente a se tornar gente. Uns nascem com o dom...

terça-feira, 1 de outubro de 2013

RATOS POLITICAMENTE INCORRETOS

No país da piada pronta a cada dia somos tomados de assalto por mais um ato ridículo de governantes que extrapolam o limite do bom senso em nome da ética e da moral, de acordo com o código rascunhado por eles com canetas Mont Blanc em notas de cem. No país onde condenados por crime de corrupção conseguem ter mais poder do que o próprio supremo tribunal,
modificando suas penas a bel prazer, já seria uma piada em qualquer parte do mundo, mas aqui, ironicamente se preocupam com o “politicamente correto” do clássico desenho Tom & Jerry. Um momento, por favor, tenho de parar de rir...Pronto, vou tentar me controlar. Tudo que é relevante chama a atenção destes seres engravatados que andam com o bolso estufado e o coração congelado. O rato encontrado dentro de uma garrafa de refrigerante, pondo em risco a saúde de todos, não importa. O gato exposto na net, crucificado literalmente por um bando de adolescentes “divertidos” também não importa, mas Tom & Jerry, estes mestres da discórdia e da violência devem ser exilados pois causam o mal em nossas pobres crianças.
Estilos “musicais” como funk que trazem letras de alto conteúdo erótico onde imperam drogas, misoginia e prostituição, são elevadas, por alguns destes senhores de terno e gravata que infelizmente nos representam, ao pódio de atividade de lazer e cultura popular das mais importantes, isto com o aval de um célebre deputado que acha seu salário (quase 27 mil reais) baixo, pois merecia ganhar mais, num país onde trabalhadores ganham pouco mais de 600 reais. Isto é “politicamente correto”? Esta mesma turma faz um alarde imenso sobre a sexualidade, enaltecendo o homossexualismo e por ora tentando até transformá-lo indiretamente em regra. Evidente que nada tenho contra homossexual, pois preconceito é estúpido em qualquer esfera, porém como cidadão, creio que há problemas muito maiores para se discutir do que a vida sexual das pessoas.
A fome, o desemprego, a miséria, a criminalidade alta, entre outras barbáries deveriam ser discutidas com o mesmo afinco que se discute sobre bundas, pênis e vaginas. Como ser politicamente correto no país dos políticos incorretos? Ontem a modelo que era usada como cortesã de um deputado que desviou mais de 300 milhões do dinheiro público, foi presa e já está livre e com convites para posar nua, aí em contrapartida uma senhora desempregada que furtou um pacote de feijão do mercado, para alimentar os filhos, esta há 40 dias presa entre assassinas, quer algo mais politicamente incorreto? Aqui no Cabaré Brazil nós temos de sobra. Um famoso deputado homofóbico e misógino consegue com sua “lábia” extorquir publicamente seus fiéis (veja na internet) e é tido ainda como paladino da justiça, tanto que mandou prender duas garotas que se beijavam frente a um evento seu.
Moral da história criancinhas: extorquir é legal, beijar é crime! Outra turminha também de deputados (viu como estamos bem representados?) fazem mutirões para desvendar crimes de tortura de 40 anos atrás e ignoram crianças sendo estupradas e violentadas nos dias atuais. Onde esta a tal comissão de direitos humanos que só pensa em holofotes, polêmicas e foge das dores de vítimas civis? Já sei: está levantando cartazes pró-Tom pela violência do esquizofrênico Jerry, ou vice versa. Ainda bem que nossos representantes vão nos livrar desta dupla de meliantes. Nossa TV vai ficar bem melhor com sua exemplar programação. As duas da tarde temos programas forjando histórias de terror e até invocando “entidades” em troca da audiência, inclusive se utilizando de ofensas e piadas direcionadas a um anão, ou melhor, pessoa verticalmente prejudicada. Às quatro da tarde tem programa de fofoca promovendo traição, alpinismo social, sexo, vulgaridade, assassinos celebridades,
entre outros astros do circo de horrores. Às seis da tarde começa o festival do sangue com pessoas sendo fuziladas por criminosos e flagradas por câmeras de segurança, exibidas agora na TV. Às oito, jornais noticiam corrupção, crimes e guerras e depois às nove e meia, novelas, onde sexo, falcatruas, adultérios, violência e muito mais, crianças podem assistir. Ainda bem que nossos “políticos corretos” livraram a infância desta dupla pecaminosa de gato e rato. Adeus Tom & Jerry. Nossos gatos estão nos postes e nossos ratos, bom, estes hoje têm imunidade parlamentar.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SALVE, SALVE SIMPATIA

Ando tão enjoado de política e tão impotente em saber que parece não adiantar ter a coragem de divagar aqui ideias, já que estamos vendidos num país de bandidos engravatados. Hoje quero e vou falar de algo que dê luz, algo que brilhe e não algo nefasto como a política que me faz ter vergonha do país em que habito. País este que após um extenso jejum de 25 anos, foi recompensado ontem aqui em SP com uma experiência equivalente a uma levitação dos sentidos ao cume do nirvana! Que me perdoe Elvis, mas onde quer que esteja, há de concordar com minhas palavras, que se tens um sucessor em vossa majestade, este senhor é Bruce Springsteen.
A plateia durante mais de três horas testemunhou a vitalidade inesgotável de Bruce em seu espetáculo considerado pela imprensa mundial, o maior show do ano (e ano passado idem), com sua turnê Wrecking Ball. O impacto foi memorável logo na abertura, quando cantou Sociedade Alternativa, composta pelo maior ícone do rock no Brasil, Raul Seixas, morto em 1989, que onde quer que esteja, gostou do recado, sorriu e gritou: “Este gringo é arretado”. Aliados a uma euforia, um público que confessadamente celebrava ali como sagrada a oportunidade de testemunhar o que ainda estava por vir, cumprindo com a expectativa dos fãs e arregimentando iniciantes a compartilhar desta mesma devoção. O show reuniu tudo de grandioso que se espera de um artista que não dependa de efeitos especiais e pirotecnia.
O palco para Bruce é sempre extenso. Ele nunca para num ponto e não há lugar privilegiado no show, já que ele circula pelo espaço todo, inclusive entre a plateia. Cantou com a plateia e até deixou alguns subir no sagrado palco e cantar com ele, dançou com fãs, beijo e abraçou senhoras da terceira idade que gritavam como menininhas, pegou crianças no colo e cantou junto, foi até testemunha de um pedido de casamento no palco entre um casal de fãs, cantou baixinho à barriga d euma grávida como se ninasse o bebe que esta a caminho, enfim, não há palavras para definir o show e muito menos definir Bruce. Ele não é o Boss, ele é deus em sua arte plena. Seus shows são repletos de energia positiva e não há restrições de cor, idade, classe social, nada. Trata a todos com a mesma devoção. Seu olhar brilha e para um sexagenário rico fazer shows longos, de até quatro horas sem intervalos e literalmente suando,
é a prova de todo seu amor pelos que ali estão. Amor este declarado em Spirit in The Night, quando Boss num momento antológico foi carregado de costas pela plateia numa distância razoável do final da pista até sua volta aos palcos. Sua humildade e generosidade ultrapassam, como se fosse ainda possível, toda sua grandiosidade como cantor, compositor e performer. Seus olhos veem a tudo, o tempo todo e sua memória é admirável. Exemplo disto foi um rapaz que pediu sua palheta no meio de uma canção. Encerrada a música, Bruce, que estava do outro lado do palco voltou exatamente ao ponto onde estava o jovem e concedeu o pedido. O show não tem telão de led porque a luz de Bruce iria ofuscar todo projeto de algum marketeiro. Ele não troca de roupa o tempo todo, porque o desfile
que interessa no palco do Boss é o desfile de belas canções. Ele não tem vaidade, ego, nada. Seu palco é a sua casa e TODOS, sem exceção, são convidados e literalmente se sentem em casa. Há se houvessem políticos com esta força, com esta garra, com este amor pelo que se faz e acima de tudo pelo próximo. Talvez por esta razão que Bruce, que uma pesquisa americana concluiu que se candidato fosse a presidência dos EUA ganharia com 87% dos votos e claro, ironizou pois ser politizado, o que ele é, é bem diferente de ser político. A arte do músico é o amor, porém não há arte que se preze na política e nisto, os nossos merecem o Grammy. Obrigado, Bruce e seja sempre bem vindo!

JORNALISMO SUICIDA

O jornalismo atual anda me assustando um pouco. Além dos incontáveis erros gramaticais e informações desconcertantes, me espanta o número de notícia inútil sobre personalidades criadas por esta tal imprensa. Esta semana em grandes portais vi matérias do tipo: ex BBB sai da academia falando ao celular.
Pergunto: E daí? Prefiro ocultar nomes, mas vale lembrar que nas matérias eles vinham em destaque. Coisas como “pseudo cantor filho de famoso cantor” descansa nos trilhos de linha de trem; ex capa de Playboy prega em igreja evangélica; vocalista anuncia fim de famosa banda de axé; funkeiro paga parte da pensão alimentícia atrasada do filho; filha de apresentadora não come na Fazenda e preocupa namorado; entre outras asneiras deste porte. Um país com tanta informação importante a ser divulgada realmente precisa ler este tipo de coisa? Vem o argumento de que “se escreve o que o povo quer ler”. Huuum, será verdade? Seria esta tal imprensa o espelho ou o farol? Os programas de TV se agarram neste nicho e falam de fofoca o dia todo ou crime. Que prazer doente é este em que se tenha tanto interesse pela vida dos outros e pela criminalidade? Antes havia uma certa censura para isto que hoje não há. O sujeito famoso sai com uma garota na quinta
e na sexta feira tem seu nome em programas vespertinos como se o mesmo fosse um tarado delinquente sem direito à defesa. Nos programas de crime você assiste seis da tarde câmeras flagrando assassinatos sem cortes. Liberou geral? Cadê o bom senso? Aí a criança de 13 anos supostamente mata os pais e comete suicídio e a culpa é do vídeo game e não da TV. Mas quem cultua fama e crime? Vamos deixar de hipocrisia. Há um culto nojento da fama que vem destruindo tudo, inclusive a arte. Porque hoje não é mais a música ou o talento que importam. A imprensa hoje quer saber de quem faz esta arte e não da arte em si. Desta forma se constroem Frankensteins grosseiros com uma boa assessoria de imprensa que estimule uma classe sem ideias e preguiçosa em busca de matéria paga e pronta. Sendo assim, claro, o público se interessa mais na celebridade do que na obra, que em alguns casos nem existe. Vide ex BBBs, ex-fazendas e outras “celebridades”. Nenhuma vida de famosos vai lhe trazer algum benefício tanto quanto uma boa canção, um bom livro ou um belo filme. O artista hoje que vive na humildade, longe desta arrogância e digno de uma postura “low profile”
é mal visto, pois a inversão dos valores hoje esta clara e quem financia isto? A mídia que não têm envergadura para escrever sobre a alma humana e sim sobre a aparência apenas. Com base nesta deficiência gritante, muitos urraram aos quatro cantos com a morte do baixista Champignon com teses e conceitos filosóficos sobre o tema, quando na verdade nem tão pouco sabem descrever o ocorrido, já que a grande maioria gritava que o rapaz “se suicidou”, quando na verdade o suicidio neste caso é o da gramática que se enforca com uma vírgula ao ler e ouvir tais coisas. Fulano não “se suicida”. Fulano comete suicídio ou se mata, simplesmente. Deixando o pormenor da gramática de lado, cabe aqui também a humildade socrática do “saber de que nada se sabe” já que ninguém explode os miolos sem uma razão. A alma do artista é sensível e indecifrável. Hemingway, Van Gogh, Kurt Cobain, entre tantos outros que deram fim às suas vidas tinham seus motivos e isto não nos pertence. Deixaram um legado de obras
que são muito maiores do que suas mortes. Assim o menino do CBJ que era um exímio baixista deve ser respeitado por isto, pois sua vida privada e sua morte não nos interessa. O que importa é a música que fica para sempre. E que a importância de uma canção não seja medida por prêmios comprados, por vezes tocadas numa rádio, por quantos "famosos" a regravaram e nem tão pouco pelo que o apresentador da TV disse, mas sim pela verdade e todo amor contidos nela e pelo encantamento que sua melodia e palavras produzam em nós. Não suicide sua cultura e nem sua alma. Faça delas a sua obra de arte.

INDEPENDÊNCIA OU SORTE?

Amanhã se comemora a independência do Brasil. Bom momento para se refletir até que ponto somos de fato independentes mesmo ou só trocamos de dono.Talvez estudar mais profundamente a questão seja descobrir de fato o que é ser independente. Seu país pode ser livre das ordens de outro, porém e você, é livre dentro de seu país? Você é independente trabalhando obrigado a sustentar um governo que sustenta vagabundos, corruptos e agora até a nova modalidade, deputados presidiários, como se já não bastassem criminosos, assassinos, molestadores de crianças, e tudo isto sem o seu consentimento,
ou seja, você é obrigado e não livre para optar. Votar também aqui é obrigatório. Você depende de serviços públicos, paga por eles, mas necessita depender também de um plano de saúde particular, de seguro contra roubo, de plano de aposentadoria, etc, etc, etc, e tudo porque você é “independente”. Você é livre, ok, mas até onde? Tem independência que só funciona na poesia. Na realidade é bem diferente, ainda mais quando se é dependente da grana. Não ter dinheiro torna sua vida nada fácil. As oportunidades lhe viram a cara quando você não tem nada nos bolsos. Se você não depender diretamente de alguém, seja uma empresa, um patrão, um padrinho ou um amigo influente, tudo se dificulta, então sem orgulho, sejamos sinceros, no fundo todos dependemos de alguém ou de algo. Até o poeta mais nobre e mais duro depende da sensibilidade de amigos para no mínimo conseguir sobreviver com trocados.
Pergunte para um executivo dependente de seu emprego, se quer trocar a segurança por uma independência. Pergunte à uma mulher (ou homem) bem casada (o), se trocaria a segurança de uma vida tranquila pela independência de buscar novos amores. Pergunta se tal artista que reclama aos quatro ventos por estar “engessado” numa gravadora, topa ser independente e se arriscar nos palcos da vida sem patrocínio. Pergunta se algum cineasta topa não depender das leis de incentivo ou da Petrobrás, e assim por diante. No fundo somos eternos dependentes e quem se arrisca a ser independente, como este que vos escreve aqui, paga um preço caro, bem caro, por ter optado em ser independente. Escrevo meus livros e os lanço no mercado assim como vários outros artistas independentes. Mas porque não queremos dependência? Em parte pela liberdade de nossa arte e acima de tudo pela sorte de não ter a interferência burocrática na obra. Mas por um outro lado, há também o fato de ninguém ter se interessado em investir em nosso trabalho. Olhe o mercado hoje. Quem esta na mídia?
Faça um breve estudo e veja de onde estas pessoas vieram, surgiram e aí vai compreender. Seja sincero em seu julgamento: quantos de fato chegariam onde estão sem a dependência do pai ou de algum padrinho? Artistas de verdade, meu bom amigo leitor, são as pessoas mais motivadas e corajosas sobre a face da terra. Lidamos com mais rejeição num ano do que a maioria das pessoas encaram durante toda uma vida. Todos os dias, enfrentamos o desafio financeiro de viver um estilo de vida independente somado ao desrespeito de pessoas que acham que deveríamos ter um emprego a sério, quando na verdade nosso trabalho é levado mais a sério do que o destas pessoas. Eu trabalho mais de 18 horas por dia para produzir tudo que faço, mas para muitos isto é apenas um sonho e não um trabalho. Se você quiser ser independente, meu caro, pode perder namoradas, esposas, amigos e a cabeça. Pode ficar sem comer por alguns dias e até viver um paradoxo
interessante onde você sofre rejeição e assim mesmo as pessoas te invejam, achando que sua vida é a melhor. E quer saber? Talvez seja. Quem sabe o segredo da vida não está no fato de ser livre e independente quando no fundo nascemos todos dependentes? Só não seja nunca independente dos seus sonhos. Seja o que for que aconteça continue sonhando. Mesmo quando esmagarem sua esperança ou quando te deixarem sozinho continue sonhando. Ninguém sabe do que você é capaz a não ser você mesmo.Enquanto você estiver vivo, a sua história ainda não acabou. É a única luta boa que existe. Sempre!