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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SALVE, SALVE SIMPATIA

Ando tão enjoado de política e tão impotente em saber que parece não adiantar ter a coragem de divagar aqui ideias, já que estamos vendidos num país de bandidos engravatados. Hoje quero e vou falar de algo que dê luz, algo que brilhe e não algo nefasto como a política que me faz ter vergonha do país em que habito. País este que após um extenso jejum de 25 anos, foi recompensado ontem aqui em SP com uma experiência equivalente a uma levitação dos sentidos ao cume do nirvana! Que me perdoe Elvis, mas onde quer que esteja, há de concordar com minhas palavras, que se tens um sucessor em vossa majestade, este senhor é Bruce Springsteen.
A plateia durante mais de três horas testemunhou a vitalidade inesgotável de Bruce em seu espetáculo considerado pela imprensa mundial, o maior show do ano (e ano passado idem), com sua turnê Wrecking Ball. O impacto foi memorável logo na abertura, quando cantou Sociedade Alternativa, composta pelo maior ícone do rock no Brasil, Raul Seixas, morto em 1989, que onde quer que esteja, gostou do recado, sorriu e gritou: “Este gringo é arretado”. Aliados a uma euforia, um público que confessadamente celebrava ali como sagrada a oportunidade de testemunhar o que ainda estava por vir, cumprindo com a expectativa dos fãs e arregimentando iniciantes a compartilhar desta mesma devoção. O show reuniu tudo de grandioso que se espera de um artista que não dependa de efeitos especiais e pirotecnia.
O palco para Bruce é sempre extenso. Ele nunca para num ponto e não há lugar privilegiado no show, já que ele circula pelo espaço todo, inclusive entre a plateia. Cantou com a plateia e até deixou alguns subir no sagrado palco e cantar com ele, dançou com fãs, beijo e abraçou senhoras da terceira idade que gritavam como menininhas, pegou crianças no colo e cantou junto, foi até testemunha de um pedido de casamento no palco entre um casal de fãs, cantou baixinho à barriga d euma grávida como se ninasse o bebe que esta a caminho, enfim, não há palavras para definir o show e muito menos definir Bruce. Ele não é o Boss, ele é deus em sua arte plena. Seus shows são repletos de energia positiva e não há restrições de cor, idade, classe social, nada. Trata a todos com a mesma devoção. Seu olhar brilha e para um sexagenário rico fazer shows longos, de até quatro horas sem intervalos e literalmente suando,
é a prova de todo seu amor pelos que ali estão. Amor este declarado em Spirit in The Night, quando Boss num momento antológico foi carregado de costas pela plateia numa distância razoável do final da pista até sua volta aos palcos. Sua humildade e generosidade ultrapassam, como se fosse ainda possível, toda sua grandiosidade como cantor, compositor e performer. Seus olhos veem a tudo, o tempo todo e sua memória é admirável. Exemplo disto foi um rapaz que pediu sua palheta no meio de uma canção. Encerrada a música, Bruce, que estava do outro lado do palco voltou exatamente ao ponto onde estava o jovem e concedeu o pedido. O show não tem telão de led porque a luz de Bruce iria ofuscar todo projeto de algum marketeiro. Ele não troca de roupa o tempo todo, porque o desfile
que interessa no palco do Boss é o desfile de belas canções. Ele não tem vaidade, ego, nada. Seu palco é a sua casa e TODOS, sem exceção, são convidados e literalmente se sentem em casa. Há se houvessem políticos com esta força, com esta garra, com este amor pelo que se faz e acima de tudo pelo próximo. Talvez por esta razão que Bruce, que uma pesquisa americana concluiu que se candidato fosse a presidência dos EUA ganharia com 87% dos votos e claro, ironizou pois ser politizado, o que ele é, é bem diferente de ser político. A arte do músico é o amor, porém não há arte que se preze na política e nisto, os nossos merecem o Grammy. Obrigado, Bruce e seja sempre bem vindo!

Um comentário:

Flavio Saute disse...

Eu estava lá. Vc escreveu/descreveu perfeitamente.