quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

UM 2013 SEM PROMESSAS

E mais um ano chega ao fim, trazendo consigo mais um especial do Roberto Carlos na TV, retrospectivas variadas, passagens esgotadas para qualquer parte do mundo, reuniões em família, reencontro com aquele parente chato que você só vê uma vez por ano e já acha muito, e claro, as promessas de ano novo.
Se tem algo mais falso do que votos de felicidade de ex-esposa (ou ex-namorada) são as tais promessas de final de ano. Todo mundo jura que vai fazer dieta, parar de fumar, dar mais atenção pra família, estudar algo novo, aprender um idioma, trocar de carro, reformar a casa, levar o filho pra Disney e por aí vai, num sem fim de promessas que assim como as de campanha política, todo mundo sabe que nunca vão dar em nada, mas naquela data especial todos fingem que acreditam. Vamos combinar uma coisa? Que tal prometer em 2013 não fazer promessas que jamais serão cumpridas? Vivemos uma época onde tudo soa tão mentiroso, que até as falsas promessas passam despercebidas para a maioria, mas em respeito aos que ainda creem, que tal cumprir apenas esta de nunca mais prometer o que não ira cumprir?
Que tal não dizer pra alguém que vai ligar, sendo que nunca ira nem sequer adicionar o número da mesma em seu telefone? Que tal não prometer amor eterno, sendo que a qualquer tentação você já se entrega e se diz apaixonado (a) por quem conheceu na fila do banco? Que tal optar desejar ao invés de prometer? Eu desejo que você consiga um novo emprego, mas não lhe prometo um. Eu desejo que você atinja seus objetivos na vida, mas não prometo ajuda-lo. Eu desejo que você seja feliz, mas ninguém além de você pode lhe prometer a felicidade. Às vezes uma simples mudança de palavra pode fazer e muito a diferença, pois o prometer tem um peso de compromisso e se você não o cumpre de certa forma irá magoar alguém.
O desejo é fé, vontade, mas não compromisso. Você pode desejar tudo de bom para alguém, mas isto não quer dizer que você tenha de ser o responsável total pela felicidade do outro. Claro que isto é magnifico e eu tenho muito orgulho das promessas que fiz e cumpri todas, pois tenho este defeito de honrar compromissos, e assim de alguma forma fazer a vida de alguém mudar para melhor. Mas jamais fui leviano de prometer algo que estava fora de meu alcance. Se você tem a capacidade de ajudar alguém, não hesite, ajude e fará sem dúvida um 2013 rico para ambos. Se tiver certeza de que tal mulher (ou homem) é o amor de sua vida, então se dedique ao máximo e prometa não à pessoa, mas sim a você mesmo, de que dará o seu melhor para que se tornem um casal feliz. Não há nada mais grandioso do que dividir a felicidade.
Aliás, fica a velha máxima de que dividir na verdade é multiplicar. Para que o acúmulo de tanto dinheiro, sendo que você nem tem onde e como gastar? Que tal abrir a mão e ajudar pessoas a realizarem sonhos, projetos, que às vezes não custam nem o que você gasta num final de semana em baladas caras com falsos amigos e poderá sim lhe render muito mais. Portanto queridos leitores que me deram a honra de acompanhar meus textos em 2012, desejo revê-los em 2013 e que cada vez mais minhas palavras possam de alguma maneira serem uteis a todos vocês independente do momento em que estejam vivendo. Desejo aos enamorados cada vez mais amor e companheirismo.
Para o time dos solteiros, desejo que encontrem de fato o amor que tanto buscam, pois alguém neste mundo gigante também está te procurando. Desejo que seja feliz independente de quanto tem no banco, da cor de sua pele, da fé que leva no peito, do deus que acredita, do time que torce, da música que ouve, dos livros que lê, dos programas que assiste, enfim, o que desejo a todos é que sejam FELIZES em 2013 como nunca foram em outros anos. Que seja o ano da renovação e da evolução espiritual de todos nós que aqui estamos. Um ótimo 2013 e OBRIGADO!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

UM BOM FIM DO MUNDO A VOCÊ

É chegado o grande dia. Se você está lendo este artigo é sinal de que o mundo ainda não acabou, então ainda há tempo de você deixa-lo, caso de fato acabe, de maneira leve, solta e sem tumulto na alma. É o momento exato para você pensar no que fez até agora, se avaliar e ao menos partir com a dignidade com que chegou a esta terra.
Quantas pessoas você feriu? Quantos amores você quebrou? Quantas pessoas você enganou, traiu ou semeou a discórdia e promoveu uma fofoca? Quantas promessas não cumpriu? Muita coisa, né? Se ainda tiver alguns minutos, horas, ou quem sabe dias, caso o fim do mundo tenha sido planejado no Brasil, o que provavelmente vai atrasar um bocado, que tal você consertar alguns destes erros? Ainda está em tempo de ligar para alguém e pedir desculpas. De abraçar quem você de fato ama e demonstrar esta afeição. De dizer obrigado a quem sempre esteve do teu lado e porque não um cordial abraço naqueles que por alguma razão que não mais importa, não estiveram do seu lado ou também lhe magoaram. Pense no lado positivo de um fim do mundo real. O pior sentimento da morte não é o que ela leva, mas a saudades que deixa e a dor que jamais acaba. Se todos morrerem ao mesmo tempo, seremos privilegiados
e não sentiremos ao menos esta dor das saudades eternas de quem partiu para não mais voltar. Além disto, pense em tudo que não seremos mais obrigados a conviver. Imaginem o fim das demissões, da fome, da insegurança, da violência urbana, da ganância dos homens de terno e gravata e das intensas maldades cometidas por aqueles que acordam cedo para planejarem formas de ganhar muito para que muitos percam. O fim da solidão, do câncer infantil, da dor, do telefonema na madrugada informando que seu pai morreu, o fim das pestes, dos flanelinhas, cambistas, políticos, pastores, apresentadores de programas de auditório, BBBs, mulheres frutas, das canções mal feitas e vulgares, dos falsos cantores, atores canastrões, dos jogadores pernas de pau e das torcidas uniformizadas
que preferem brigar e matar do que torcer para seu time. Imaginem o fim da prostituição infantil, da poluição sonora, visual e da atmosférica, o fim do desmatamento, das guerras e da falta de educação. Já pensou? De certo modo o fim do mundo não deve ser tão ruim assim. Claro, que em contrapartida você nunca mais verá o pôr do sol, uma noite estrelada, o corpo de uma bela mulher nua ao luar, sentir gosto de chocolate, cheiro de flor do campo, o mel das frutas, o sabor da sua comida predileta, a sensação de prazer quando se goza, o brilho do olhar de uma pessoa apaixonada, a conversa entre amigos, o sorriso inocente de uma criança, a piada contada na mesa do bar, o grito de gol, solos de guitarra, a voz de B. B.King, o corpo perfeito de uma bailarina a dançar ao vento, o beijo no escuro do cinema,
o Woody Allen na madrugada, Chet Baker na hora de fazer amor, Louis Armstrong no café da manhã ao lado dos que você ama, transformando assim a sua família naquela do comercial de margarina. Tudo isto e muito mais acabará fazendo muita falta, mas relaxe, porque o mundo não vai acabar. Foi só mais uma pegadinha de Deus, que não vai por fim à sua obra desta maneira. Na verdade é apenas mais um toque para você pensar o que de fato você tem a perder partindo e o que tem a ganhar, ficando. É a melhor forma de você se posicionar no mundo e ter a convicção de que não importa se você está num apartamento de luxo no Soho em NY ou deitado na grama olhando para o céu, com a mente repleta de ideias, entenda que tudo, absolutamente tudo está na sua cabeça. O início, o meio e fim estão dentro de você. Ame a vida pelo que ela é. Aceite seu papel, o seu agora e viva. Quem faz o mundo nascer ou morrer, é você. Um bom fim do mundo ou um bom renascimento é o que lhe desejo, mas você é quem decide!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O RITUAL DOS TRÊS DEDOS

Sou um grande admirador de quadrinhos e já até me arrisquei nesta área lançando a graphic novel LOLITAS, onde minha obra teatral foi adaptada para esta arte gráfica. Recentemente li “Três Dedos – Um escândalo animado”
de Rich Koslowski, lançando pela Gal editora e confesso ter me divertido muito com a polêmica conspiração que o autor criou no universo dos desenhos animados. Antes de prosseguir o texto, caro leitor, vale ressaltar que nos EUA, país de origem desta obra, o polegar não é considerado dedo por ter apenas duas falanges e estar tão próximo do pulso, portanto contam-se apenas quatro dedos em uma mão anatomicamente normal. Explicada esta questão, a coluna ficará mais clara. O livro conta a saga de Dizzy Walters e do ator animado Rickey Rat, que qualquer semelhança com Walt Disney e Mickey Mouse, talvez não seja apenas uma simples coincidência. Claro que se trata de uma obra de humor
e nos parâmetros de “Uma Cilada para Roger Rabbit”, como se este fosse dirigido por Michael Moore, traça um paralelo da vida entre seres animados e seres humanos na busca pelo sucesso. Narrado como forma documental o livro trás depoimentos do próprio Rickey Rat e de outras estrelas de três dedos, como o astro milionário e arrogante Pernalouca, o imigrante ilegal Rapidinho Rodriguez, os velhos abandonados e senis Patonildo e o leitão Engasguinho, entre outros personagens hilários e polêmicos, misturando-se com Marilyn Monroe, Luther King, entre outras figuras históricas, todos numa trama que divaga sobre sucesso, fama e o tão sinistro ritual dos três dedos. Conta a história que para se obter a fama, os animados cortavam um dedo num ritual rumo ao sucesso. Por isto todos personagens de desenho até hoje só possuem três dedos e o polegar apenas. Já notaram? Deve ter fundamento já que no Brasil
o Pica Pau e Popeye estão dominando o horário da TV e desbancando loiras apresentadoras com quatro dedos, polegar, seios, bunda, pernas lindas e acho que só, né? Também não vamos exagerar. Este ritual parece ter um representante humano também em nosso país, que após ter sido iniciado e extirpado um de seus dedos, teve a vida completamente modificada e os louros da fama a lhe cobrir os dias e assim construir seu império e reinado bilionário, conquistado sem muita explicação lógica. Nosso herói de três dedos, assim como o rei dos animados, conseguiu colocar até Pateta no ministério e Plutos como deputados, afinal, grande parte são grandes filhos da Pluta também. O ritual é tão poderoso que consegue ofuscar o brilho da inteligência de toda uma população que ainda acredita que a nossa versão de Rickey Rat,
que lembra mais um sapo, do que um rato, é exemplo a ser seguido. Nunca vê nada de criminoso em seu reinado, mesmo com evidências à flor da pele e condenações pelo Supremo e o pouco que vê, quando lhe interessa, afirma ser mentira, mas diz isto sem o nariz crescer o que mostra que apesar dos três dedos, marca registrada dos animados, ele é bem humano (não no sentido humanitário, que fique claro) e não dá pistas explícitas físicas de suas inverdades, a não ser àqueles poucos que enxergam além dos fatos. Há pessoas que creem ainda que mensalão é conto de fadas, que o bicheiro Cascatinha é bonzinho, e até elegeram um chefe de cidade que mal entrou
e já nomeou um secretário da igualdade, notoriamente adverso à igualdades e que responde tudo na base da violência e ainda escolheu um criminoso procurado pela Interpol por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e roubo, para ocupar a cadeira de uma das secretárias onde mais circula grana. Como nem tudo é estúpido no mundo dos três dedos, uma salva de palmas ao Popeye e ao Pica Pau que ao menos, com suas histórias manjadas e estripulias nos livram a cada dia da estupidez promulgada pela televisão e seus humanos de inteligência inanimada, afinal, antes ter três dedos do que ter apenas três neurônios.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O RISO BANGUELA

Tudo que vira modismo acaba se tornando chato e perde um pouco sua essência. A nova moda no Brasil é ser comediante. Graças à febre dos stand ups, qualquer mal humorado que se ache engraçado, se arma de um microfone e vira humorista. Com raras exceções que realmente trazem bom texto (o verdadeiro ouro do estilo)
o que se vê é gente chata, mal amada, reclamando da vida e humilhando qualquer infeliz que cruze seu caminho, a troco de um riso banguela de uma plateia de idiotas. Uma das “estrelas” desta moda, por exemplo, já teve DVDs retirados de circulação porque ofendia gratuitamente deficientes físicos (ainda tô tentando enxergar a graça nisto), já enalteceu estupradores, já levou processo por ofensas à uma grávida famosa, com piadas infelizes beirando a pedofilia, tem um programa de TV completamente sem graça e de baixa audiência e agora se intitulou o paladino da moral e dos bons costumes e sai atacando nas redes sociais personalidades que
cometem deslizes. A vítima desta semana foi um apresentador de TV, que como a grande maioria da classe dele, vende uma imagem bem diferente da que vê refletida no espelho pelas manhãs. Promove a imbecilidade generalizada e usa como arma de Ibope o sexo e o falso “assistencialismo”. Há lindas garotas em trajes sumários e uma espécie de bolsa família financiada por patrocinadores, na realização de sonhos de gente humilde, como o de ter uma casa bonita, e assim nosso apresentador ganha fama de bom moço para os incultos e desinformados. A briga entre estas duas espécimes produzidas pela máquina de criar ignorantes, nossa TV, já vem desde que o primeiro, que mesmo ofendendo sem motivo algum, inúmeras pessoas, se sentiu ofendido por um comentário do segundo, em seu twitter, reclamando quase ter sido atropelado por um caminhão ao praticar sua pedalada matutina. Um comentário idiota e sem sentido algum que foi ampliado pelo que se sentiu ofendido.
A briga não encerrou por aí, já que esta semana o apresentador foi mais uma vez alvo do comediante, por ter se recusado a fazer o teste do bafômetro numa blitz da polícia, já que vivemos numa nação onde a hipocrisia impera, os acidentes automobilísticos impulsionados pelo excesso de bebidas alcoólicas permanecem impunes e pasme você, nobre leitor, o sujeito, seja ele quem for, tem o direito de recusar um teste da polícia para saber se esta ou não em condições de dirigir um veículo. Acho esta uma piada mais engraçada que a de alguns stand ups. Nosso país já foi governado por um amante explícito das bebidas etílicas, que inclusive se ofendeu ao ver este seu lado publicado em jornais estrangeiros.
Eu não tenho nada contra quem curte uma bebida, porém o que de fato preocupa é esta glamourização pelo alcoolismo, o que fica bem claro, já que o mundo é dominado pela máquina da mídia e as indústrias de bebidas são as grandes anunciantes, patrocinando os programas de televisão populares e transmissões de eventos esportivos. O universo do sertanejo que também inexplicavelmente, movido pela gigantesca quantidade de dinheiro que gira, domina a mente de jovens e cultua o que? Bebida. Em grande parte das canções o álcool se faz mais presente do que a poesia em si. Para ver como é um país de piada pronta e de humor negro, há tempos atrás um cantor sertanejo embriagado cometeu um acidente com duas vítimas fatais e além de ser absolvido, a família das vítimas foi obrigada a ver o sujeito na TV cantando uma canção de apologia descarada ao álcool. Hoje quem não bebe é tido como anti-social, careta,
idiota e nossas estradas refletem muito bem o que os “não idiotas” têm feito. O apresentador pisou na bola ao se recusar fazer o teste e sabe disto, até porque não estava embriagado e muito menos causava risco a alguém, portanto seria uma atitude exemplar vinda de alguém que é pintado como cidadão exemplar. O comediante ao menos reconheceu desta vez, por medo ou arrependimento, que pegou pesado em seu ódio pessoal, onde o álcool não foi no caso o veneno destilado. Estes “formadores de opinião” vão durar até quando nossa ressaca deixar e pelo visto, não há Engov que nos salve disto.