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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O RITUAL DOS TRÊS DEDOS

Sou um grande admirador de quadrinhos e já até me arrisquei nesta área lançando a graphic novel LOLITAS, onde minha obra teatral foi adaptada para esta arte gráfica. Recentemente li “Três Dedos – Um escândalo animado”
de Rich Koslowski, lançando pela Gal editora e confesso ter me divertido muito com a polêmica conspiração que o autor criou no universo dos desenhos animados. Antes de prosseguir o texto, caro leitor, vale ressaltar que nos EUA, país de origem desta obra, o polegar não é considerado dedo por ter apenas duas falanges e estar tão próximo do pulso, portanto contam-se apenas quatro dedos em uma mão anatomicamente normal. Explicada esta questão, a coluna ficará mais clara. O livro conta a saga de Dizzy Walters e do ator animado Rickey Rat, que qualquer semelhança com Walt Disney e Mickey Mouse, talvez não seja apenas uma simples coincidência. Claro que se trata de uma obra de humor
e nos parâmetros de “Uma Cilada para Roger Rabbit”, como se este fosse dirigido por Michael Moore, traça um paralelo da vida entre seres animados e seres humanos na busca pelo sucesso. Narrado como forma documental o livro trás depoimentos do próprio Rickey Rat e de outras estrelas de três dedos, como o astro milionário e arrogante Pernalouca, o imigrante ilegal Rapidinho Rodriguez, os velhos abandonados e senis Patonildo e o leitão Engasguinho, entre outros personagens hilários e polêmicos, misturando-se com Marilyn Monroe, Luther King, entre outras figuras históricas, todos numa trama que divaga sobre sucesso, fama e o tão sinistro ritual dos três dedos. Conta a história que para se obter a fama, os animados cortavam um dedo num ritual rumo ao sucesso. Por isto todos personagens de desenho até hoje só possuem três dedos e o polegar apenas. Já notaram? Deve ter fundamento já que no Brasil
o Pica Pau e Popeye estão dominando o horário da TV e desbancando loiras apresentadoras com quatro dedos, polegar, seios, bunda, pernas lindas e acho que só, né? Também não vamos exagerar. Este ritual parece ter um representante humano também em nosso país, que após ter sido iniciado e extirpado um de seus dedos, teve a vida completamente modificada e os louros da fama a lhe cobrir os dias e assim construir seu império e reinado bilionário, conquistado sem muita explicação lógica. Nosso herói de três dedos, assim como o rei dos animados, conseguiu colocar até Pateta no ministério e Plutos como deputados, afinal, grande parte são grandes filhos da Pluta também. O ritual é tão poderoso que consegue ofuscar o brilho da inteligência de toda uma população que ainda acredita que a nossa versão de Rickey Rat,
que lembra mais um sapo, do que um rato, é exemplo a ser seguido. Nunca vê nada de criminoso em seu reinado, mesmo com evidências à flor da pele e condenações pelo Supremo e o pouco que vê, quando lhe interessa, afirma ser mentira, mas diz isto sem o nariz crescer o que mostra que apesar dos três dedos, marca registrada dos animados, ele é bem humano (não no sentido humanitário, que fique claro) e não dá pistas explícitas físicas de suas inverdades, a não ser àqueles poucos que enxergam além dos fatos. Há pessoas que creem ainda que mensalão é conto de fadas, que o bicheiro Cascatinha é bonzinho, e até elegeram um chefe de cidade que mal entrou
e já nomeou um secretário da igualdade, notoriamente adverso à igualdades e que responde tudo na base da violência e ainda escolheu um criminoso procurado pela Interpol por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e roubo, para ocupar a cadeira de uma das secretárias onde mais circula grana. Como nem tudo é estúpido no mundo dos três dedos, uma salva de palmas ao Popeye e ao Pica Pau que ao menos, com suas histórias manjadas e estripulias nos livram a cada dia da estupidez promulgada pela televisão e seus humanos de inteligência inanimada, afinal, antes ter três dedos do que ter apenas três neurônios.

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