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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

PRÊMIO AÇAÍ DE LATA 2012!



O assunto da semana foi a premiação do Oscar e a tal injustiça para muitos que esperavam que o Brasil traria o prêmio graças a chatíssima canção do filme Rio que perdeu para a mais chata ainda, canção dos Muppets. Nosso Oscar foi para o brejo literalmente e entregue a um sapo, o Caco. Dei algumas entrevistas na TV esta semana comentando sobre o Oscar e apesar de cinema ser a minha especialidade e eterna paixão, não me estenderei aqui, pois há outros colegas que escrevem sobre o mesmo tema neste jornal. Talvez o Oscar, nós de fato, nunca ganharemos, mas o Framboesa de Ouro (prêmio dos piores do cinema), este nós seríamos uma espécie de Dream Team, porque em matéria de canastrice no cinema, ainda somos imbatíveis. Mas para que ter um Oscar, se podemos nós mesmos criar o nosso Oscar? Como framboesa para nós é só uma amora metida a besta e o nosso ouro já levaram tudo que tinha por aqui há tempos, ficamos então com o nosso “Açaí de Lata”. Afinal é nossa fruta do momento e a maioria dos nossos astros são tão expressivos quanto um homem de lata. Claro, que antes que me joguem pedras ou garrafas, pensando que sou o Carlinhos Brown, temos inúmeros talentos no cinema que mereciam OSCAR em quase tudo que fazem, aliás, um Oscar inteiro de ouro no quilate de seus talentos como é o caso de Wagner Moura, Matheus Nachtergaele, Lazaro Ramos, Claudia Abreu, Leonardo Medeiros, Tony Ramos,Fernandas (mãe e filha) e tantos outros...Mas vamos ao que interessa: os vencedores do Açaí de Lata! Caso você ache que houve algum injustiçado ou esquecido, participe e dê também as suas sugestões ao Prêmio Açaí de Lata 2012.

Prêmio InsulFilm (pior filme queimado): Boris Casoy, por suas declarações preconceituosas e estapafúrdias, como seu explicito desprezo aos garis e a puxação de saco de criminosos da high-society, condenados pela justiça.
Prêmio Rubens Barrichello (pior direção): Mano Menezes que consegue transformar a seleção brasileira, outrora filme de arte, hoje numa comédia pastelão de quinta categoria.
Prêmio Preta Gil (atriz canastra): A vencedora por unanimidade foi a grávida de Taubaté, sem dúvida a nossa Meryl Streep da canastrice em 2012.
Prêmio Eriberto Leão (ator canastra): Imbativelmente para o senador Eduardo Suplicy em seus números musicais e poéticos no senado.
Prêmio Polaroid (pior revelação): Michel Teló que após a premiação foi ovacionado pela platéia que gritava: “Ai se te pego, Teló, soco este prêmio no seu fiofó!”
Prêmio Louro José (pior ator coadjuvante): Ronaldo Fenômeno por sua atuação como Conselheiro da Copa.
Prêmio Lucimara Parisi (pior atriz coadjuvante): Sônia Abrão ao lado de sua co-apresentadora de programa: a Morte!
Prêmio Juba & Lula (pior dupla de dois): Este prêmio é repassado semanalmente, para uma nova dupla sertaneja criada pela mídia, já que as mesmas se proliferam como Gremlins desafinados.
Prêmio Joelma e Chimbinha (casal trash): Para dois BBBs que quase se reproduziram em cativeiro, num estupro forjado para alavancar membros e audiência.
Prêmio Restart (pior trilha sonora): Este prêmio vai para as rádios e TVs do país pelo conjunto da obra que divulgam.
Prêmio Maysa (pior filme infantil): Empate técnico entre Xuxa, imbatível na categoria e Renato Aragão, que num passado muito distante fora Didi, um trapalhão, deveras muito engraçado.
Prêmio Chapolin e o Tapete Voador (defeitos especiais): A bunda da Valeska popozuda que desabou no carnaval.
Prêmio Casos de Família (pior roteiro original): O velho discurso de José Serra que sempre reaparece e fica bonzinho próximo de eleições, que sabemos que ele nunca vai cumprir até o fim o mandato.
Prêmio Bruna Surfistinha (pior roteiro adaptado): Editores de revistas ditas importantes no país, que vivem reescrevendo a mesma história há décadas e cultuando o passado, apresentando sempre museus de grandes novidades.
Prêmio Nelson Ned (curta carreira de animação): Luiza, que não pode receber o prêmio, porque esta no Canadá de novo, já que a fama aqui se esgotou.
Prêmio Sete Anões (pior equipe de trabalho): Ministério Dilma, onde caíram exatamente sete ministros envolvidos em crimes de corrupção.
Prêmio Tiririca: Dividido entre a todos eleitores palhaços que em 2012 vão vomitar bobagens na urna ao invés de raciocinarem e aprenderem a votar.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SANATÓRIO GERAL



Feliz ano novo! O ano de 2012 começou esta semana, já que o Brasil só dá start pós-carnaval. Apesar de achar que como muitas outras manifestações culturais do país, o carnaval também vem baixando o nível e deixando muito a desejar,eu sou solidário a todos aqueles que aguardam ansiosamente o ano inteiro por esta festa. Admiro a dedicação de pessoas envolvidas e de moradores das comunidades que têm no carnaval, suas maiores realizações. Acho romântico e admirável este orgulho por sua escola de samba e quisera eu, utópico, que as pessoas estendessem este mesmo sentimento pelas escolas públicas e seus professores. Talvez eu esteja ficando velho, mas sinto uma nostalgia dos bailes de carnaval onde a droga mais pesada era o lança perfume e a contravenção mais comum era passar a mão, por azar, na bunda de uma garota acompanhada. E as marchinhas? Que saudades! Todas tinham um humor inocente e delicioso e até em algumas delas, críticas sociais absorvidas de maneira subliminar pela massa do salão. Um dos meus poucos prazeres na época (coisa de velho mesmo) era comprar as revistas masculinas pós-carnaval, por onde desfilavam em suas páginas as mulheres mais lindas e mais nuas da época. Afinal, caro leitor adolescente, há 20, 30 anos atrás não havia esta facilidade de se ver mulher nua como se tem hoje pela internet. A imaginação tinha de estar tão ativa quanto seu pênis. Naquela época, o cérebro não podia ser o seu segundo órgão favorito. O fato é que hoje, com tanta exposição como se estivéssemos frente a um verdadeiro açougue ao ar livre, o que mais se viu foi coxão duro. Aliás, literalmente falando, pois nunca vi tanta mulher musculosa. Acho que nem em concurso de fisiculturismo há uma quantidade tão grande de músculos e hormônios. Os camarotes devem ter servido cerveja com esteróides a suas convidadas. Uma companhia de cerveja até tentou trazer Hugh Hefner, para escolher a musa da marca, mas talvez pelo que nos fora apresentado, Arnold Scharzenegger, tivesse melhores condições de julgamento. Não sei a maioria, mas eu ainda prefiro mulher com corpo de mulher. Como disse, eu não me adaptei ainda a este mundo moderno. Creio que assim como Erasmo, eu ainda estou dez anos atrasado. Tão atrasado que passei o carnaval ouvindo Cartola, só para tentar entrar no clima carnavalesco. Lamentável saber que nem no carnaval surgem mais poetas do morro ou de outro lugar, mestres do legítimo samba, que é feito por aqueles que tem alma. Cartola não fez música misógina e muito menos usou palavras de baixo calão. Também não fazia coreografias para adestrar macacos e nem tão pouco se utilizava de onomatopeías em seus refrões. Talvez por isto tenha demorado seis décadas para ficar famoso e poucos anos para voltar a morar com o pai, por não ter um tostão no bolso. Fazer arte com o coração definitivamente não é algo bem quisto neste país. E viva o funk, o pagode e a nova dança que vem da Bahia! Panis et circenses! Este ano o “circenses” veio da apuração das escolas de SP, onde num espetáculo bizarro, a versão anabolizada do garoto propaganda do Itaú resolveu dar um show a parte e rasgar o envelope com as notas, causando quase que uma catastrofe, se não fosse a intervenção imediata e competente da polícia de SP. Vale ressaltar que não se pode condenar uma torcida ou um time de futebol só por causa de marginais que usam a instituição como escudo para cometerem seus crimes. Eu nunca fui favorável a misturar futebol com carnaval, porque é jogar gasolina na fogueira, mas como não tenho envergadura para divagar sobre ambos os temas, prefiro manter esta opinião restrita ao “Bloco do Eu Sozinho”. No mais, palmas pra ala dos barões famintos, o bloco dos napoleões retintos e o dos menores assassinos pilotando jet skis. Palmas para torcidas uniformizadas e sua vasta ignorância e palmas para contraventores, políticos, jogadores mascarados, jornalistas comprados e para crianças passando fome...Palmas para as falsas grávidas e para as reais algemadas por roubarem um roupa para o filho que ia nascer...Palmas para o ficha limpa e pra toda a nossa ociosidade... não nos esquecendo de toda escória generosa que nos alimenta com o pão e circo de cada dia...Ai que vida boa, ô lerê, ai que vida boa, ô lará... O estandarte do sanatório geral...vai passar...ou já passou...ou passará...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CASO ELOÁ: O BBB MACABRO E PASTELÃO




Mais um caso de violência que chocou e mobilizou nosso país, voltou a mobilizar de novo com seu julgamento: o caso Eloá. A mídia novamente produziu um espetáculo de horrores com um final que todos já sabíamos qual seria, afinal num país, como já citei, com leis de mentirinhas e brechas absurdas a favor de advogados ricos e inescrupulosos,a vida não vale nada e o crime quase sempre compensa. O infeliz Lindemberg foi condenado a quase um século de cadeia, após uma brilhante atuação da promotoria e de uma juíza exemplar, mas como o Brasil é uma mãe para corruptos, assassinos e bandidos, ele, coitadinho, não cumprirá mais do que dez anos, então antes dos 40 talvez será solto às ruas para começar uma nova vida enquanto a pobre vítima, que ele condenou à morte, sequer teve julgamento. Nossas leis retrógradas parecem ter sido escritas por criminosos (se bem que se analisar nosso quadro político, isto parece óbvio demais), tamanha injustiça contida nelas. A família das vítimas são ridicularizadas e os pobres membros do júri, obrigados a encontrar o réu que condenaram, tomando sorvete na esquina de sua casa completamente livre pela justiça, por ter pago alguns simples aninhos. O Brasil não perde o estigma de ser uma grande piada de mau gosto, um filme trash com atores canastrões e diretores incompetentes. Aliás, o remake do caso Eloá mistura referências pra diretor nenhum reclamar. Um namorado abandonado resolve invadir a casa da namorada e discutir a relação. Adrian Lyne poderia escrever o roteiro e Arnaldo Jabor os diálogos. A direção poderia ficar com Bergman, pois seria lenta, mas faria com que casais discutissem a relação pós-sessão. Porém uma arma carregada, uma terceira pessoa (a amiga do casal) e um seqüestro declarado mudaram o rumo da história. Como se fugíssemos do cinema pra TV, em questão de minutos, um BBB macabro foi exibido com suas cem horas de duração, quase que em tempo integral, evidentemente editado para se obter o efeito de “reallity” show. Uma hora as reféns apareciam gritando na janela, em outras apareciam sorrindo, depois surgiam com óculos escuros, como se já fossem personalidades. Até sobremesa a vítima fez para a turminha da bagunça, de acordo com o réu.Tudo como num roteiro de filme adolescente de quinta. Num certo momento, a polícia mais perdida que a de Springfield, consegue com a ajuda de um Al Pacino que fazia uma ponta na história, que Lindemberg libertasse uma refém, mas logo em seguida numa ação ao estilo “Corra que a polícia vem aí”, ela é DEVOLVIDA pela polícia ao criminoso (!!!). Sem muitas esperanças de sucesso após tanta confusão, eis que surge um Bruce Willis para botar ordem no terreiro e protagonizar um desfecho feliz após muita emoção, ação e suspense, mas eis que contrariando as regras do bom senso, a tela é invadida pela turma da “Loucademia de Polícia” e o que se vê é um espetáculo nonsense digno de Monty Python, mas com um final trágico, conseqüência de uma ação tão atrapalhada que até o Inspetor Clouseau se envergonharia, caso estivesse à frente dela. Pra completar o roteiro com uma dose de Almodóvar,num ataque de emoção, ao ser amparado por médicos, descobre-se pelo close da TV, que o pai da vítima nada mais é do que um procurado da justiça, acusado de liderar um grupo de extermínio, incluindo o de sua ex-mulher, destruindo sonhos e famílias, assim como Lindemberg destruiu os seus. Agora na Parte 2 do filme (O Julgamento), surgem advogados que roubam a cena e os holofotes, com a acusação fazendo o “mocinho” amigo da imprensa e a defesa exposta pela mídia como a nova Cruella de Ville, que ofende a juíza e é vaiada por populares, num espetáculo dantesco. Com todo este show à mostra o povo se esquece de Marcos Valério, condenado pelo crime de mensalão e livre; esquecem também do ficha limpa tramitando no congresso e quase sendo arquivado, enfim, se esquece de tudo, só para saber qual será o destino do pseudo-Romeu transgressor e marginal. Nesta onda de finais alternativos,bem que num deles, Lindemberg poderia ser atingido no córtex e as meninas liberadas com vida, mas será que a polícia também não seria criticada por tirar a vida de um jovem trabalhador, sem ficha na polícia e que agiu desesperado pelo ciúmes? Em outro final, ele se entregaria, escreveria um livro, viraria conselheiro do amor e as reféns sairiam na Playboy ou protagonizariam a nova temporada de Malhação. Mas infelizmente o que vimos na tela da TV foi mais um final chocante, fruto de uma violência alimentada pela TV dia após dia. Pra fechar com um THE END digno de filme CULT, só faltou um dos apresentadores de programa policial na TV se emocionar e numa espécie de Darth Vader pós-moderno encarar o jovem Lindemberg e dizer: Lindemberg, EU SOU SEU PAI!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ENQUANTO ISTO NA SALA DA (IN) JUSTIÇA...




Segundo Platão, “O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis”, porém no Brasil parece que o filósofo mais seguido ainda é o Gerson, aquele ex-jogador de futebol que numa inocente propaganda de cigarro, criou a lei do “levar vantagem em tudo”. O Supremo no país é levado ao pé da letra, onde seres supremos, como alguns se auto-denominam, estão acima de nós pobres mortais rastejantes, pois voam alto em suas capas negras nos ares da arrogância máxima ignorando o clamor de uma população indignada com tantas regalias e “injustiças”, que frente a uma justiça cega, se vê muda, por não poder sequer protestar. A corajosa ministra Eliana Calmon abriu a caixa de Pandora do judiciário, causando com isto um reboliço tremendo e uma quebra na justiça já fragilizada,onde de um lado estão os verdadeiros juízes e do outro uma pequena parte, que de justiça social entende tanto quanto um sagüi entende de física quântica. Alguns juízes recebendo até 500 mil reais por mês e desembargadores recebendo auxílio moradia e auxílio alimentação com quase 20 vezes o salário da categoria. Num país de tantas injustiças chega a ser deplorável uma atitude destas. Fatos como estes levam indiretamente à manifestações polêmicas como por exemplo a greve da polícia na Bahia. É inerente ao ser humano, buscar melhores condições de vida, porém há de se prevalecer ética e bom senso. Há uma banda podre no meio dos grevistas, é evidente, mas a grande maioria está lá reivindicando seus direitos, talvez não de uma forma correta,Vítor Suarez Cunha mas no desespero, a única que tenha surgido. São homens que arriscam a própria vida em prol do próximo e às vezes mal conseguem botar comida na mesa de casa. O Brasil é um Asilo Arkhan ao ar livre com vilões da pior espécie caminhando livres pelas ruas ou assinando contratos, redigindo leis, impondo regras, enquanto se entopem de bons vinhos, boa comida e orgias inenarráveis com as mais belas prostitutas que o poder pode bancar. Millor Fernandes disse que toda uma biblioteca de Direito serve apenas para melhorar em quase nada os dez mandamentos, e eu diria que este quase nada, querido Millor, por aqui tem sido nada mesmo. Se o homem respeitasse só aquela regrinha que um cabeludo cheio de amor nos trouxe que é amar seu próximo como a ti mesmo, creio que viveríamos num mundo bem mais justo. Para alegria Deste homem, que há mais de dois mil anos não está mais por aqui, mas sim lá no alto (acima dos seres supremos de asas negras) olhando por nós, de vez em quando surge um oásis belo no meio deste deserto de sabedoria e compaixão. Na semana passada um jovem herói, digno de total respeito e que creio não receba rendimentos mensais de 500 mil,auxílio alimentação exorbitante e nem tão pouco fazia greve, ao ser deparado com uma cena nefasta de violência, preconceito e covardia, não se intimidou e mesmo temendo, se pôs a frente de tamanha injustiça e acabou sendo literalmente massacrado por cinco covardes da pior espécie, que se consideram acima até do Supremo, pois para eles, a lei não existe. São frutos de uma educação falida, de uma cultura pobre e acima de tudo da certeza da injustiça patrocinada por leis arcaicas e estapafúrdias. São monstros que espancam mulheres, torturam animais, atropelam e matam pessoas com seus carros potentes e suas cabeças aditivadas por drogas legais propagadas e incentivadas pela TV. Monstros que violentam alguém pelo simples fato de ser negro ou pobre ou gay ou apenas não estar de acordo com as estúpidas convicções destes mentecaptos. Cinco elementos desta estirpe espancavam um mendigo quando foram surpreendidos por Vítor Suarez Cunha, um herói sem super poderes, sem fantasia, sem bat-armas, mas com muita coragem e justiça, dois elementos incongruentes em nosso país nos dias de hoje. A polícia que por vezes é até humilhada por artistas que também se acham acima da lei e dos pobres mortais, fez um bom trabalho e prendeu quatro dos cinco vagabundos, porém, como a justiça aqui além de cega é por vezes, paralítica, já sabemos o final desta história. Até quando vamos esperar para mudarmos este quadro? Quem sai ganhando com isto tudo? Super Vítor, que muitos homens supremos e comuns possam se basear em você, em vosso exemplo digno de coragem, força, justiça e acima de tudo amor pelo próximo. Para mim, um simples mortal da ralé, você é supremo, meu caro e merece a minha modesta, porém sincera, reverência.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O TALENTO DA FÉ



“Não gostamos do som de vocês. Conjuntos de guitarra não tem futuro.”

Emprestada do livro “Profetas do Erro”, decidi abrir este artigo com esta pérola da prepotência e ignorância corporativa. A frase foi dita por um executivo da Decca ao descartar os Beatles em 1962. O tempo mostrou que estes senhores estavam redondamente enganados, assim como aqueles que disseram que Julia Roberts era feia e sem talento para o cinema; Fred Astaire era careca e dançava mal; Walt Disney era louco e megalomaníaco, entre tantos outros casos que só nos comprovam que ninguém é o dono da verdade e sucesso não tem receita. A história já provou que talento não garante lugar à sombra, mas a falta de fé garante lugar na escuridão. Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus escreva nela o que quiser. Você tem de crer em você e na sua verdade. Você pode mudar seu ponto de vista, aprender com seus erros, mas jamais limitar-se a ser como os outros e simplesmente perder sua personalidade. Você tem de ter a liberdade plena de expor as suas idéias e acima de tudo enfrentar o mundo com e coragem, jamais sendo submisso aquilo que te incomoda. Se a fome do outro te incomoda, grite. Se a dor do outro te incomoda,grite. Se a injustiça te incomoda, grite. Só não vale gritar se você sonha em SER o outro, porque aí já é inveja e esta nada tem a ver com liberdade, pois aprisiona a alma e o espírito. A autora de Harry Potter, J. K. Rowling, é um exemplo claro de que NADA é impossível quando se tem fé e total crença em sua arte. Após ser recusada em diversas editoras, conseguiu publicar seu livro e mesmo sob a afirmação dos gênios do marketing de que seria um fracasso absoluto, ela se tornou a escritora mais rica do mundo com apenas 450 milhões de livros vendidos, fora todo material de merchandising, filmes e até um parque temático na Flórida. É claro que todos vêem só o lado do glamour, mas esquecem do passado e da luta destes homens e mulheres que fizeram de seus sonhos utópicos, realidades de sucesso. Almodovar disse uma vez que quando Deus nos dá o talento, entrega junto um chicote destinado à auto-flagelação. É a mais nobre verdade e todos artistas sabem disto, com exceção dos aventureiros, filhos de pais ricos, influentes ou famosos, mas que são exceção à regra, então prefiro me ater aqui à realidade de quem luta e crê em seus sonhos, mesmo sob as maiores dificuldades. É muito fácil você desistir de seus sonhos em troca de uma vida agradável onde se tenha dinheiro, que nada mais é que um prêmio de consolação a você que matou seu sonho. Já os que vieram a este mundo com uma missão, um objetivo, estes não se calam e mesmo mediante a todas as dificuldades e da depressão do dia a dia, lutam e não se deixam derrubar. Gente como Dick Hoyt que carrega seu filho deficiente em provas de triatlon. Para qualquer ser humano racional isto seria impossível, afinal como uma pessoa comum se torna um mega ultra atleta do dia para a noite e ainda carrega um filho nas provas? Isto chama-se fé e esta força é inabalável e inexplicável. Um exemplo brasileiro é o do lutador Rogério Gerardi , que após ser vítima de um acidente gravíssimo, viu nos meses em coma e nas sequelas deixadas, o fim de sua carreira como pugilista. Bom, isto é o que uma pessoa comum veria, mas Jason (apelido do lutador), assim como o personagem das telas, não é uma pessoa comum e sim “cabra macho” com coragem até a medula, contrariou o que previam médicos e voltou a treinar,venceu lutas e está hoje a caminho de disputar o título sul americano e quiçá o mundial em 2013. Soma-se a isto o fato de lutar em desvatagem pois um de seus braços não tem a movimentação adequada para um lutador, porém a sua fé o coloca em vantagem contra qualquer adversário. São pessoas assim que fazem o mundo girar, nos provando que há mais mistérios entre céu e terra do que Shakespeare e seu Hamlet imaginariam. Até hoje não fora provada pela ciência a existência de Deus, mas quem se importa? O fato é que o Deus que habita a mente de cada um de nós, atende por um único nome: FÉ! Já dizia um baino que também fora desacreditado e se tornou um dos maiores nomes da música popular: “Queira! Basta ser sincero e desejar profundo que você será capaz de sacudir o mundo” Não deu certo hoje, meu caro leitor, TENTE OUTRA VEZ!