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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A CERTEZA DA DÚVIDA



A força mais destrutiva do universo é a fofoca, e isto ninguém dúvida. Ainda mais quem já foi vítima de uma intriga. A calúnia não exige provas, sendo assim ela se torna um assassino moral, com licença para matar. O fofoqueiro nunca tem dúvida de nada. Ele simplesmente sabe, porque sabe que sua vítima é culpada de algo.
O fofoqueiro geralmente tem uma atração por sua vítima. Na verdade ele admira tal pessoa e queria ser como ela ou talvez odeie a tal pessoa, porque de fato não consegue ser como ela, portanto no final das contas é a pura inveja mesmo, o nosso pecado capital favorito, se bem que eu ainda fico com a luxúria, pois nunca fui adepto da inveja e fã de fofoca e, apenas vítima constante dela. Mas não escrevi a coluna de hoje porque quero me defender de alguma fofoca. Não nada disto, pois até me acostumei com elas e nem me importo. O fato é que assisti ao filme A Dúvida, do autor e diretor John Patrick Shanley – vencedor do Oscar por Feitiço da Lua – que traz no elenco os também premiados com a estatueta Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, ambos também concorrendo ao prêmio da Academia, este ano, pelos respectivos papéis. Ela uma diretora de colégio de freiras, com mãos de aço que acredita no poder do medo e da disciplina e ele um padre carismático que demonstra uma atenção especial por um aluno novato. Em cima desta situação, a irmã Aloysius (Streep) inicia uma verdadeira cruzada para provar que as intenções do padre Flynn (Seymour) sobre o menino tem conotação sexual e aí começa, claro uma campanha de devastação, oriunda da fofoca e da “certeza” da irmã sobre tal fato, para destruir a carreira e a imagem do padre. Como reza o título (e não o padre, para evitar trocadilhos) a platéia vai vivenciar esta dúvida e provavelmente permanecer com ela após os créditos finais. O filme é baseado na peça homônima do próprio autor e claro, dispensa comentários sobre as atuações, mas o fato é que o filme é o perfeito retrato da dúvida. Num dos belos sermões do padre ele faz uma metáfora interessante sobre uma senhora fofoqueira que ao confessar o mal de suas intrigas ao seu pastor, este a penitenciou a subir no telhado e rasgar um travesseiro de penas. A senhora sem entender muito bem (assim como todo fofoqueiro que nunca entende nada, mas acha que sabe de tudo) cumpre a penitência e volta no outro dia para contar ao padre. Este, muito sábio, disse à mesma para juntar todas as penas que voaram do travesseiro e entregar a ele. A senhora disse que isto seria impossível, pois se dissiparam no vento e o homem sábio respondeu à mesma: - Isto é a fofoca!
Falar mal dos outros agrada tanto às pessoas que é muito difícil às vezes deixar de condenar um homem apenas para dar prazer aos nossos interlocutores. Dizem por aí que fulano é gay; dizem por aí que sicrano trai a esposa; dizem por aí que aquele está nadando no dinheiro; dizem por aí que aquela não vale nada e por aí vão os “dizem por aí”. Um retrato triste de nossa história é o caso da Escola de Base, onde o “dizem por aí” da imprensa destruiu a empresa, a imagem e por que não a vida de uma família inocente, acusada de pedofilia sem provas. Infelizmente, meus caros sete leitores, a calúnia vive por transmissão, e é alojada para sempre onde encontra terreno. Dizem por aí que eu digo algo por aqui. Será? Um brinde à dúvida! A dúvida é o principio da sabedoria, afinal ninguém duvida tanto como aquele que mais sabe.

2 comentários:

junior disse...

Concordo tem mt gente fofoqueira mesmo. E me desculpe o termo, mas elas só querem fuder as vitimas de suas fofocas. A gostei mt vou ver o filme. mt bom o post .

http://jrtalvez.blogspot.com/

se puder da uma passadinha no meu blog. Abraços

Adeline disse...

Concordo plenamente, muitas pessoas só sabem cuidar da vida das outras e não cuidam da sua, que pode ser cheia de problemas, como sempre digo, a inveja é a falta de capacidade e a fofoca é coisa de quem não tem oque fazer e ficam cuidando da vida dos outros!