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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

SIM, SENHOR, JÁ VIMOS ESTE FILME


Jim Carrey está de volta e novamente usando o piloto automático, com as mesmas caretas, as mesmas gags, as mesmas piadas, mas o público continua adorando e dizendo SIM para seus filmes. Eu confesso que este não é o pior e nem de longe o melhor trabalho dele, mas também digo SIM para sua atuação, que desde Grinch, Brilho Eterno e Mundo de Andy, me convenceu também do quanto é talentoso este moço da cara de borracha e dos dentes postiços. Neste novo filme - “SIM SENHOR!”- que lembra uma espécie de Mentiroso 2, Jim, que tem uma vida infeliz após tomar um fora da namorada, decide ir a uma palestra sobre o poder da palavra SIM e sai da mesma proibido de dizer NÃO e a partir daí sua vida muda por completo. O roteiro é baseado na autobiografia do escritor britânico Danny Wallace, sobre como respostas afirmativas mudaram a sua vida, o que não deixa de ser verdade, claro, desde que como tudo você saiba dosar, porque dizer SIM para absolutamente tudo, como no filme, fará de você um perfeito idiota sem personalidade alguma. Já parou pra pensar direta ou indiretamente no quanto dizemos SIM todos os dias à corrupção, à violência, à prostituição infantil, ao trabalho escravo e a mais um monte de barbáries e isto não melhora nossa vida de forma alguma. O NÃO pode ser muito bem vindo também, pois estas duas palavras são íntimas e andam de mãos dadas e cabe a você saber utilizá-las na hora e no momento correto, pois este é o charme secreto de nossas vidas e em especial o talento de nossas decisões. Dizer SIM para tudo e toda oportunidade que surge, assim como o filme de Jim nos induz, pode ter conseqüências um tanto desastrosas. Um bom exemplo disto é o filme O Lutador, ainda inédito no Brasil, mas que tive oportunidade de assisti-lo ao dizer SIM para um convite para uma cabine de imprensa. O filme conta a história do lutador de luta livre Randy, The RAM, que após uma vida de sucesso na carreira e de excessos na vida, vê tudo desmoronar com a chegada da idade, numa verdadeira epopéia de fracasso e desilusão. Mickey Rourke, o protagonista, faturou o Globo de Ouro de melhor ator e é um dos favoritos ao Oscar. Mickey que fora das telas já foi lutador – o que explica sua cara que lembra uma mistura de Fábio Jr. e Michael Jackson por causa de tanta plástica – recebeu um convite da Associação de Luta Livre dos EUA para integrar o time de lutadores, tamanho seu desempenho nas telas.Como ele deve ter visto o filme do Jim Carrey, disse SIM para a proposta. Agora resta saber se a Academia vai dizer SIM para o desempenho do astro e presenteá-lo com a estatueta. Aliás eu diria SIM mesmo é para a Marisa Tomei, que mesmo já velhinha continua dando um bom caldo em suas cenas de strip-tease no filme O Lutador. Apesar de distintos entre si, os dois filmes trazem a mesma mensagem: somos aquilo que escolhemos ser e arcamos com nossa opção. Viver em constante metamorfose também pode ser interessante, mas ao nos confundirmos neste caleidoscópio de sims e de nãos, o resultado final pode ser devastador. Portanto se há um segredo nisto tudo é que você deve sempre seguir a intuição e fazer as escolhas que lhe fazem bem. Sejam “Sims” ou sejam “Nãos”, o que importa é estar de acordo com seu coração. E apesar da rima acidentalmente brega, finalizo a coluna com uma única certeza que é a de que no final das contas acabamos sendo prisioneiros eternos de nossas escolhas, por mais voluntárias que elas tenham sido. Então se dê o direito de dizer Sim pro não e Não pro sim de vez em quando e seja feliz!

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