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sábado, 20 de setembro de 2008

ESCÁRNIO SOBRE A CEGUEIRA



Imaginem uma Av. Paulista com táxis comuns se misturando a taxis “gringos” e a população inteira falando inglês, quando de repente alguém fica cego e não é você espectador que vê, mas não vê São Paulo na tela, mas sim uma epidemia de cegueira que começa a assolar a tal “cidade imaginária”. A solução é isolar os novos cegos numa espécie de Carandiru, onde você pensa que já viu este filme. Imagine um casal em crise, um negro, um japonês, uma prostituta e uma criança que juntos, tentam salvar o mundo. Você também já viu este filme. É mais um de Spielberg? Não desta vez é nosso Fernando Meirelles, que eu admiro e muito, mas acho que não acertou a mão numa direção meio cabra cega de uma obra brilhante de Saramago: “Ensaio sobre a cegueira”. Aliás, contrariando a vontade do autor, o maior erro de Fernando foi ceder às criticas ferrenhas e tirar a narração de Danny Glover do filme. Pois além de cego o filme ficou mudo e a platéia surda! Saramago aconselhou Meirelles a manter a narração e o diretor optou por não ouvir o criador da história, mas em contrapartida ouviu seu roteirista e ator no filme (o personagem do ladrão) a incluir uma (das muitas) cenas ocas e desnecessárias quando após roubar o carro de um cego, o ladrão, do nada resolve voltar pra ajudar o cego e depois some de novo numa das cenas mais vazias do filme. O trabalho de atores também ficou devendo uma vídeo-aula com o filme Perfume de Mulher e Al Pacino ensinado como interpretar cego, porque o que se vê na tela é aquela encenação piegas de Criança Esperança, sabe? Só faltou a Xuxa com um clássico de Sullivan e Massadas ao fundo. A larga experiência de Fernando com comerciais às vezes ajuda e em outras atrapalha, confunde. A cena dos cegos na chuva é tipicamente C & A. Só faltou o Sebastian surgir na tela e dizer que cego esta o gerente da loja com os preços baixos que anuncia. Em outra cena, Alice Braga (de novo nua), Juliane Moore e uma outra atriz tomam banhos juntas num papo típico de propaganda de absorvente, sem contar o tom do filme todo na linha mortos vivos nonsense da Pespsi, lembra? Dá dá dá! Pra completar o show, ainda há cenas “tributo Zé do Caixão” com cachorros de rua comendo pedaços da carne de um pobre moribundo. O filme se torna um festival de clichês e Fernando por ser um cara inteligente, bacana e absolutamente independente não deveria dar ouvido à críticas e principalmente ao que o público de teste pensa, porque cinema é mosaico. Cada um vê de um jeito e o que tem de prevalescer sempre é visão dele, o diretor! Eu acredito que as mudanças a que ele se rendeu, estragaram o andamento do filme, que no todo, me perdoe a honestidade não é um bom filme, mas poderia ser, pois a idéia de Saramago é apocalipticamente interessante.
Gael Garcia domina os poucos bons momentos do filme, mas nem ele e nem a Juliane ex-ruiva e agora loira e a cara da Madonna Moore salvam o filme. Cansativo, lento, chato, o filme deixa a platéia cega....de sono. Saramago não usa parágrafos, porque fala tanto quanto escreve e o filme peca nisto...é mudo...calado...sem sentimentos. Bem distante do livro. Um filme completamente cego. Assim como é cego nosso comitê Olímpico e nossos empresários que ainda não enxergaram o real valor de um atleta e do que o esporte representa a um país, afinal o vexame das Olimpíadas não é culpa dos atletas e sim da falta de investimentos, menos, claro pro futebol, que ali sim é um bando de cegos que só enxergam a cor verde-dólar e mais nada à sua frente. Porém o time de cegos reais mesmo, fez bonito e trouxe a medalha de ouro das paraolimpíadas, onde aliás o Brasil deu show! Uma salva de palmas aos atletas portadores de deficiência que provam que deficiente mesmo é aquele que não quer ver, que não quer agir. E por falar em cegos que não querem ver, lembrem-se que outubro está chegando e ta na hora de enxergar quem vale seu voto, quem vale a sua confiança. Pense! Não acredite em foto montada, em programa comprado, em jingle idiota e muito menos vá atrás de pesquisa. Enxergue fundo. Se tu é capaz de ver: olhe! Se for capaz de enxergar: observe!



PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 20 E 21 DE SETEMBRO DE 2008

Um comentário:

Jéssica Batista disse...

e aí seu cabeçudo, tudo bem com vc?
essa foto do gael é mto boa
HOEAHEAOUEAHEAUOHEAUOEAHEUOA

e eu consegui ler dessa vez no jornal de sábado sua crítica...

aah, toma vergonha e vai no meu blog...

seu sem o que fazer HOUEAHEAOUHEAOUEHAOEA

Bjocaaas!