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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um grande filho da mãe



Se há dois filmes estrangeiros (fora do eixo EUA) que sempre me emocionam, independente do número de vezes que eu os tenha assistido, são “O filho da noiva” e “Tudo sobre minha mãe”. O primeiro, de nossos hermanos argentinos, retrata a história de um quarentão, que mediante a crise econômica da Argentina se vê obrigado a vender o restaurante da família.
Além disto, enfrenta problemas de saúde, está perdendo a namorada, não dando o devido carinho e atenção à filha e ainda recebe a visita de um amigo de infância que acabou de perder a esposa e a filha num acidente. Como se já não bastasse tantos elementos tragicômicos, soma-se tudo isto ao fato de seu pai, após mais de 40 anos junto com sua mãe, resolver se casar com ela na igreja, porém a mesma sofre do Mal de Alzheimer e mal pode reconhecer sua família. Junto com seu filho, eles devem apressar-se para realizar a cerimônia antes que a doença avance mais ainda.
Tudo isto seria ideal para um clichê novelístico, mas o diretor Campanella, com muita habilidade, consegue respeitar o limite que divide o sublime do ridículo e, assim, o filme emociona (e muito) a cada segundo com interpretações absolutamente reais e comoventes. Um espetáculo de filme com um elenco soberbo, uma direção segura e um roteiro esplêndido.
Já o segundo faturou Oscar de melhor filme estrangeiro e nele Almodóvar nos mostra até onde o amor de uma mãe pode ir. O diretor espanhol - que é mestre em cores misturadas a sentimentos, emoção e, claro, gargalhadas - desta vez nos prova que sua paleta parece nunca ter fim. Um filme poético, sublime e acima de tudo inspirador, bem ao melhor estilo do espanhol.
Além do fato de serem grandes obras estrangeiras, o que estes dois filmes também têm em comum é o fato de ambos terem como força motriz do enredo as mães! Claro que o próprio cinema poderia até ser considerado a mãe das artes visuais, além do fato de que desde seu surgimento vem enaltecendo estes seres divinos, etéreos, imaginários e especiais que agem como anjos que Deus pôs na terra para nos acompanhar, dos quais carinhosamente chamamos de mãe. Estas mulheres sempre serão a nossa referência de proteção e amor incondicional, mas nunca devemos esquecer que são seres humanos, portanto suscetíveis ao erro e as falhas também.
E o cinema tem demonstrado isto por décadas através de vários exemplos de mães. Uma das mães mais famosas das telas é a senhora Bates. Quem não se lembra da mãe de Norman Bates em Psicose, criada por Hitchcock? O filme serviu para nos lembrar a todo instante que as grandes tragédias da vida de um homem podem estar bordadas também na barra da saia de sua mãe, se bem que a verdade mesmo é que as mães fazem só o layout dos filhos, quem faz a arte final somos nós mesmos. As escolhas sempre caberão a nós. O manche está em nossas mãos, a mãe apenas nos dá uma direção a seguir e, claro, a segurança de sempre termos seu porto seguro em caso de um naufrágio.
A importância de uma mãe é fundamental para o sucesso de seu filho. Ronaldo, o fenômeno, quando sofreu uma grave contusão estava acabado para o mundo e ele recorreu a quem? O homem de milhões de dólares recorreu a mãe e o resto da história o mundo já conhece. É o poder do amor materno. Este amor que é o combustível que capacita um ser humano comum a fazer o impossível.
Mãe: esta palavrinha pequena como um curta metragem, mas de um valor incalculável, superior a renda bruta de qualquer blockbuster de sucesso e mais presente na sua vida do que qualquer Cult Movie que tenha escolhido para espelhar suas emoções. Esta palavra – mãe - tem um significado infinito, acima de qualquer forma de amor incondicional, somado a uma força e sabedoria, digna de qualquer mestre e que ainda possua uma dedicação tão comprometida que às vezes até renúncia a si própria, se anulando como pessoa para serem simplesmente “mães”.
Diferente do belo filme de Campanella, o Alzheimer que mais fere na vida real destas mulheres é o Alzheimer precoce e voluntário de filhos que esquecem de onde vieram e abandonam sua progenitora num asilo, num hospital ou, pior ainda, num sofá da sala estagnada frente a um aparelho de TV esperando quem a morte visitará primeiro: ela ou o Sílvio Santos.
Parafraseando o título do filme de Almodóvar talvez eu tenha descrito aqui quase tudo sobre minha mãe... e a sua também, ou sobre todas as mães do mundo. Não importa. O que realmente importa é que no cinema da minha vida minha mãe sempre terá sessão contínua e nunca sairá de cartaz. Feliz dia das mães, dona Augusta, a eterna mãe dos meus filmes!

Um comentário:

Eunice BG Figueiredo disse...

Ô meu amigo, essa eu não conhecia! Mas constato que há muito manipula com maestria a arte das palavras...
Como mãe só posso lhe dar os parabéns, e te desejar muita felicidade, bem como elogiar o dom de mãe da Dona Augusta... Como leitora, fico orgulhosa de ser lida por essa pessoa especial, que considera minhas opiniões...
Faço questão de ver esses dois filmes que não vi, imaginando que vou me encontrar em Almodóvar, "pero por Dios" que meus antepassados às vezes vazam de minhas veias e tomam conta de tudo em minha volta!!!! (Isso em bom português quer dizer que ás vezes baixa a Carmem e sai de perto!!!) Então essa mãe aqui, que antes virava uma leoa, agora vira uma búfala... A transformação ocorreu depois de um vídeo que assistimos nos últimos dias...
Mas não estamos aqui para falar de meus acessos de mãe, e sim pra dizer pra você que, mais uma vez, MANDOU BEM!!!
Beijos meu amigo Maurício! Congratulações Dona Augusta!