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domingo, 17 de agosto de 2008

O PODEROSO PADRINHO



Cidadão Kane é um grande filme, mas que me perdoem os críticos, para mim o maior filme de todos os tempos chama-se Poderoso Chefão e claro, sua trilogia incontestável. Uma verdadeira obra prima que quase não aconteceu, se não fosse a coragem e ousadia de um diretor ainda jovem, porém genial: Francis Ford Copolla.
Como sempre em todas as esferas do showbusiness, os executivos com suas mentes embaçadas pela cor do dinheiro e seu QI semelhante ao de uma Sagüi excitado, botaram empecilhos no filme inteiro, fazendo que com Copolla vivesse o inferno na terra, a ponto de trabalhar vigiado por um segundo diretor, esperando para assumir seu cargo. Mas não foi só ele que sofreu nas mãos dos “executivos gênios”, afinal Marlon Brando foi negado pelos mesmos que achavam que ele só resmungava o filme todo e era canastrão, Al Pacino, além de ser um ator inexperiente, na opinião destes gênios, era sem graça e não tinha brilho algum na tela, a música de Nino Rota enfadonha e sem emoção, entre outras barbaridades que só podem sair mesmo da cabeça de executivos “das artes”, com toda sua genialidade para erguer e destruir coisas belas. Mas graças ao verdadeiro Padrinho (título original do filme, pois sempre achei nossa tradução PODEROSO CHEFÃO cafona demais) da obra, Sr. Copolla e seu fiel escudeiro nesta jornada, Sr. Mario Puzo (autor do romance), o mundo pôde ser presenteado com a maior obra prima do cinema, onde a fotografia de Gordon Willis (diretor de fotografia de inúmeros filmes, dentre eles a maioria de Woody Allen), a música perfeita de Nino Rota, a atuação visceral de Al Pacino, um elenco mais que perfeito, direção soberba de Copolla (que ainda escreveu com Puzo um roteiro espetacular) e como se não bastasse tudo isto, ainda trazer o brilho inigualável de outro gênio: Marlon Brando, no papel do eterno Padrinho Don Vito Corleone, que apesar de mafioso e cruel com inimigos, numa dicotomia, parecia não ter maldade no coração, pois era bom marido, excelente pai, um avô carinhoso, tratava como filhos os seus afilhados e ajudava muita gente sem condições. Ele apenas usou de sua inteligência e psicologia de manipulação (ou pq acham que o titulo godfather é retratado como uma marionete?) para ter poder e driblar todo um sistema cruel criado pelo mundo e do qual ele fora obrigado a sobreviver, após ter sua família inteira praticamente dizimada por homens gananciosos. Porém mesmo com uma vida regada a dor e sofrimento, Don Vito Corleone se transforma num grande homem, a ponto de arrancar lágrimas da platéia na cena de sua morte, mesmo sendo um criminoso. Isto é tocar na grandeza do ser humano! E Copolla conseguiu isto com esta brilhante trilogia sobre estrutura familiar e comportamento humano, numa metáfora ao capitalismo moderno com toques de poesia, transformando-se num verdadeiro I-Ching em celulóide, afinal basta escolher uma cena aleatória e lá terás uma frase que servirá de lição para o dia presente. A vida de um Rei (Brando) e seus três filhos contadas por Puzo, como que se fora contado por Shakespeare, remete o espectador a uma saga inesquecível sobre amor, família, poder e filosofia. Al Pacino, a grande estrela da trilogia cria um Michael Corleone que pulsa na tela a cada cena. Forte e extremamente frio e calculista consegue sempre tomar as melhores decisões e levar a família ao topo do poder, após a morte do pai, porém com uma diferença grande entre ambos “chefões”: seu pai ouvia o coração e Michael parece ter sido traído por este músculo, já que com todo seu poder e toda sua glória, é um homem amargurado, infeliz que tenta se redimir de seus pecados, mas parece ser atraído sempre para cometer novos em nome do poder. Quantos Michaels e quantos Padrinhos você conhece? O Brasil parece ser regido por um número ilimitado de Michaels que com sua fúria e seu talento para engrandecer, se tornam pessoas amargas, solitárias, tristes, que sacrificaram suas vidas em nome do dinheiro e do poder. Eu prefiro seguir a filosofia do Padrinho, claro, sem envolvimento no crime, mas sua forma de agir com o coração, pondo sempre sua família como base e como farol de seu caminho. Assumindo compromissos com pessoas e cumprindo-os sempre. GodFather (Padrinho) é o pai aos olhos de Deus, e creio ter assumido esta função, ao menos com meu amado afilhado. Já que eu nunca tive um padrinho na vida pessoal e muito menos na profissional, e sei a falta e a dor que isto me traz, pretendo cumprir meu papel de GodFather, para que meu (s) afilhado (s) nunca se sinta desprotegido. Aliás, adoraria conhecer um Vito Corleone e poder chamá-lo de Padrinho! Que está obra perdure por séculos e séculos e que sirva de exemplo ao mundo para que possamos ter cada vez menos Poderosos Chefões e mais e mais Padrinhos!



PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 16 E 17 DE AGOSTO DE 2008

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