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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

IN FELIZ NATAL DE SELTON



Meus afortunados sete leitores, que Selton Mello é um ator competente e talentoso todo mundo já sabe, porém o moço arregaçou as mangas e resolveu ser diretor de cinema também e ao meu ver, fez uma ótima escolha, pois logo na sua estréia, promete. Fui assistir ao filme Feliz Natal, na presença do ator/diretor que participou de um debate pós-sessão, falando sobre o filme e sobre sua carreira. Em muitos pontos me identifiquei com sua posição, como na polêmica (eu adoro uma) sobre o valor dos ingressos. Assim como eu já preguei aqui, Selton afirma que o ingresso de filme nacional é caro e deveria custar no máximo quatro reais, já que é financiado com dinheiro público. Aliás, eu acho que alguns filmes nacionais deveriam pagar pra que alguém assistisse de tão ruins que são, mas aí eu fujo do foco que é o filme do Selton e que valeria os quatro reais, claro se você está disposto a ver sofrimento e solidão somados a uma desgracinha aqui outra ali pra dar um molho. Quem ta acostumado a ver o global em papéis cômicos, pode se assustar, pois além dele não atuar no filme o roteiro é denso, pesado e nada animador para o Natal, por isto o irônico título. A história é sobre um dono de ferro velho do interior que vem visitar a família no dia de natal e aí o show de horrores começa, assim como em qualquer ceia de natal de família que se preze, ou vai dizer que a sua é como os filmes de Nova York com Louis Armstrong ao fundo, decoração bonita, gente fina, rica, linda e claro sempre educados, simpáticos, atenciosos, todos cantando juntos Jingle Bells, acompanhados por vovô ao piano. É assim? Parabéns! Você é exceção, pois acredito que a maioria do povo, onde me incluo – aliás o próprio Selton também – as festas devem lembrar um pouco a do filme, onde sempre há um tio mal caráter beberrão e tarado, um cunhado faminto e sempre desempregado, crianças gritando, uma tia, mãe ou avó dando show com seu ataque de depressão de final de ano e assim por diante, tudo regado a cidra Cereser, peru Sadia e claro o bom e velho Panetonne com defeito da lojinha da Bauducco. A atriz Darlene Glória, incluída no filme meses antes de começar a gravação, dá um verdadeiro show de interpretação, o que aliás é o ponto mais alto do filme: as atuações. Talvez pelo fato de Selton ser um grande ator o seu foco tenha ficado mais para as atuações, dispensado assim (outro ponto que temos em comum) a presença do “preparador de elenco”, função esta que sempre achei dispensável quando se tem um bom diretor, mas é outra polêmica. O filme bebe na fonte de John Cassavetes, ídolo de Selton, que aliás confessou estar desmotivado como ator e deu um recado aos fãs: “meus personagens eram máscaras apenas. Eu sou o que faço. Este filme é minha voz.” E como o próprio diz e tenho de concordar: “
A vida não segue StoryBoard...a vida é crua e imprevisível, assim como o Feliz Natal”.


2 comentários:

mariana disse...

E Viva o Natal Enlatado!!!!!
Tudo de bom sempre pra vc!!!
bjo
Pimenta-Mariana Galassso

Jéssica Batista disse...

Pode não parecer mas eu passo aqui, oras.

Beijo cabeça!