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segunda-feira, 2 de março de 2009

QUANDO JASON CHOROU





Depois da injustiça que Spielberg cometeu com os Tubarões, transformando-os em assassinos cruéis, quando na verdade eles são assassinados em número infinitamente maior, pelo homem, por motivos bem mais torpes; outro ser injustiçado é o psicopata Jason, considerado o maior assassino do cinema, porém em onze filmes somadas todas as suas mortes não equivalem a 1/3 das cometidas por Stallone em Rambo 2 e nem 1/10 das mortes causadas por Schwarzenegger em Comando para Matar, onde aliás tinha soldado que morria três vezes por falta de contingente, tamanha matança. Jason - amigo íntimo do Cinelândia e que aliás já me salvou de grandes confusões no programa - matou apenas cerca de 180 vítimas, que dividido pelo número de filmes daria pouco mais de dezesseis vítimas por filme, o que convenhamos é uma bagatela para um psicopata deste porte, ainda mais se levarmos em conta que no primeiro filme, sua mãe era a assassina e no episódio 5 as mortes foram feitas por um “copy cat” de Jason. Em cima disto, proponho uma nova visão sobre este vilão, assim como outros, tão incompreendido por nós, juízes do acaso. Sendo assim convoco Jason para uma análise, e quem sabe desta experiência surja o mais novo sucesso de Irvin Yalom intitulado “Quando Jason chorou”.
O rapaz nasce de um estupro ocasionado num “ménage à trois” entre sua mãe, Quasímodo e o Sloth dos Goonies. Como se esta tormenta já não bastasse, o pequeno Jason ao invés de ser escalado para algum casting do Fellini ou de David Lynch, tamanha esquisitice e feíura, o garoto é afogado por jovens cheios de testosterona que o confundem com isca de pescar tilápia. Após sua mãe ser decapitada por um remo - que não era o desarmado e perigoso - Jason ressuscita e parte para uma vida repleta de homicídios dolosos, onde sempre mata, mata, mata e no final morre, até ressurgir no próximo filme, assim como Bruce Willis, que a cada ano que passa fica mais “duro de matar” ainda. Mas o que realmente deixa Jason tão bravo? Mulher? Falta de mulher? Seria o Jason o verdadeiro virgem de quarenta anos? Seria esta a explicação mais plausível para o excessivo uso de lâminas afiadas, penetrando lindos corpos nus, que talvez sirvam para compensar alguma falha anatômica e concluir que a inveja do pênis não seja restrita às mulheres apenas? Enfim, onde está contida esta raiva silenciosa de Jason?
Uns tem o pobre moço hidrocefálico como um mero pastor xiita matador de adolescentes fornicadores e pecadores em Crystal Lake, onde a punição chega com passos silenciosos, enquanto outros alegam que Jason é um sábio, um profeta e que em todas estas mortes esteja contida uma mensagem subliminar. Eu acredito que Jason seja mais um cara frustrado, que sonhava apenas em tomar sua cervejinha sentado no sofá da sala, assistindo ao futebol de domingo, depois de um longa semana de trabalho no açougue em sociedade com o Leather Face. Ou quem sabe até, em outras funções que ele exerceria bem, como editor de TV com seus cortes precisos; ou quem sabe um amarelinho do CET já que o mesmo é implacável, onipresente, onipotente e acima de tudo indiferente à dor alheia. Mas acho que um bom emprego pro moço da máscara de Hóquei seria tomar o lugar do Pedro Bial, pois convenhamos que o processo de eliminação de BBBs pelas mãos de Jason seria muito mais interessante e gratificante para a tão acomodada audiência e a Globo ganharia até um novo espectador: euzinho. Mas enquanto nada disto rola, Jason fica mesmo no papel de eterno ícone da cultura Pop anos 80 e sujeito às humilhações do título que lhe confere, como em seu mais recente filme “Sexta feira 13” (nome original. né?), onde o psicopata agora, por falta de originalidade de roteiristas - que já o levaram ao inferno, já o transformaram rival de Kruegger, já até o levaram para o espaço e o deixaram anabolizado com uma máscara vilão Power Rangers - desta vez vira uma espécie de psico-mix (ou psico-mico) de Jogos Mortais com Segredo dos Inocentes, somado ao Massacre da Serra Elétrica, e mais todas as outras fórmulas contidas no mundo dos filmes de horror, para ver se o nosso assassino mascarado ainda assusta, mas o fato é que o mundo anda tão violento que as atrocidades cometidas por Jason em seus filmes tornaram-se dignas de boas gargalhadas. Portanto, meus caros sete leitores, não se assustem com os próximos lançamentos da série: “Jason vs Os irmãos Marx”, “Jason invade High School Music” ou “Jason encontra Ace Ventura”.
Ah que saudade dos anos 80, onde o Jason ainda assustava mais do que os diálogos dos filmes do Eddie Murphy. O fato é que assim como Chaplin, ainda creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror e verdade seja dita, se é para nos fazer rir, o Jason tem conseguido, mesmo com lágrimas nos olhos por trás daquela máscara. Ao som do tema de Jason, com a melodia “Ki ki ki ki Ma ma ma ma”, vou namorar pelado no lago dos patos com a minha gata enquanto Jason e nem o fiscal da CET não vêm.

Um comentário:

Bob disse...

Muito Bom!!!
O texto além de poético é verdadeiro e a crítica é valida.