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quarta-feira, 4 de março de 2009

QUEM VIGIA OS VIGILANTES?



Desde que o mundo é mundo e que a riqueza de informação é compatível com a nossa pobreza de atenção, que o homem sonha e depende de super- heróis para suprir nossas carências e afastar nossos maiores medos, sejam eles Homens Aranhas, Homens Morcegos, Homens de Ferro e porque não até o maior Homem e o mais Super de todos os tempos: Jesus - que para muitos é o Super Jesus que um dia virá voando dos céus para nos salvar e que para mim continuará sendo um cara iluminado que nos deu a maior lição, que ainda não aprendemos: AMAR! Talvez aí esteja o segredo para não se necessitar de heróis para nos salvar, afinal quem ama e vive de amor não precisa ser salvo de nada. Mas numa realidade mais fictícia e menos utópica que a minha, os heróis mascarados sempre serão uma presença real na história da humanidade. No nosso caso, o herói mais próximo seria o Chapolin Colorado, que apesar de mexicano, é o que mais se aproxima de nossa realidade. Mas já que o assunto é heróis, falemos do tão aguardado filme Watchmen, dirigido pelo talentoso Zack Snyder - diretor de 300 - baseado na famosa HQ escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, que é considerada a melhor de todos os tempos, por lidar com temáticas de orientação mais madura e menos superficial, quando comparada às histórias em quadrinhos comerciais. A série recebeu inúmeros prêmios e uma honraria especial no tradicional Prêmio Hugo, voltado somente à literatura: é até o momento a única graphic novel a conseguir tal feito. Além disto, Watchmen também é a única história em quadrinhos presente na lista dos 100 melhores romances eleitos pela revista Time desde 1923. A trama de Watchmen é situada nos EUA de 1985, com um caricato Richard Nixon como presidente em um momento delicado no contexto da Guerra Fria e em vias de declarar uma guerra nuclear contra a União Soviética. Neste panorama um grupo de justiceiros fantasiados – os super-heróis ou vigilantes– são retratados como indivíduos verossímeis, que enfrentam problemas éticos e psicológicos, lutando contra suas neuroses e defeitos e evitando os arquétipos e super-poderes tipicamente encontrados nas figuras tradicionais do gênero. No filme recheado com uma trilha sonora fabulosa, um visual espetacular e um roteiro repleto de simbolismos, política, ética moral, bom humor e até filosofia com diálogos inteligentes e metafísicos, a história é contada a partir do assassinato de um dos heróis - o Comediante, que atuara nos últimos anos como agente do governo - chamando a atenção de Rorschach – personagem incapaz de se relacionar plenamente com seu semelhante e que projeta na luta contra o Mal seu senso de solidariedade e constrói sua própria moral - que passará toda a primeira metade da trama entrando em contato com seus antigos companheiros já aposentados, em busca de pistas - considerando praticamente todos como possíveis suspeitos - sendo assim agindo como um herói renegado e fora-da-lei, sendo freqüentemente perseguido pela polícia. Em torno desta história giram tramas paralelas que exploram a natureza humana e as diferentes interpretações de cada pessoa para os conflitos do bem contra o mal – assim como em nossas vidas - através das histórias pessoais e relacionamentos dos personagens principais, como é o caso do Dr. Manhattan, um indivíduo dotado de poderes especiais, os quais o levam a possuir vasto controle sobre a matéria e a energia, elevando-o a um estado de semi-deus e peça chave no contexto da trama. Contar mais sobre o filme ou a história em si, estragaria a experiência da platéia, portanto fica a recomendação para quem curte uma boa dose de ação, efeitos especiais e uma história adulta e interessante, onde heróis assim como nós, não são tão “super” assim. Choram, sentem dor, aflição, medo e por que não repletos de sentimentos humanos, sejam eles bons ou maus. Aliás a nossa maior caricatura perante estes seres, são os nossos sentimentos, tanto que o herói mais famoso do mundo, o Super Homem, que aliás já nasceu Super Homem e com super poderes diferente dos demais, não se disfarça com máscaras ao ser herói, pois já o é. Ele se disfarça ao não ser herói, em seu alter-ego Clark Kent, que usa óculos, é fraco, inseguro de si próprio, é covarde, enfim é a visão do Super Homem sobre toda a raça humana. E a sua visão? Estamos mais para heróis, vilões ou simplesmente os coadjuvantes ou extras de uma história já traçada? Acredito que o verdadeiro herói seja aquele que não engula mais crenças do que ele possa digerir e que consiga viver de acordo com suas regras, respeitando sempre a maior regra de todas: Amar!

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