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sábado, 12 de julho de 2008

DEIXEM OS DESENHOS EM PAZ

Fui ver Speedy Racer e compreendi porque os irmãos Wachowski não comparecem às suas estréias, afinal se eu fizesse um filme deste também não compareceria. Dizem até que Larry Wachowski mudou de sexo e este é o último filme dos irmãos, pois ele (ou ela) tem sido visto ultimamente ao lado de Ronaldo pelas ruas de Copacabana. O fato é que contrariando as críticas pagas, que levaram o filme às alturas, depois de uma viagem dos jornalistas bancadas pela produtora do filme, eu que não fui convidado,então não tenho rabo preso posso ser sincero: o filme é uma bomba. FUJAM! Se você tem entre oito e doze anos, pode até achar divertido, até porque não viveu a época do desenho (este sim fabuloso pra época), se você tem mais de vinte, mas é bitolado em vídeo game, pode achar interessante, agora se assim como eu, passaste dos trinta, acha vídeo game um saco e ainda acredita que cinema é emoção, seja ela qual for, não gaste seus preciosos reais nesta porcaria. Sei que muitos vão discordar, mas eu adoro, porque aí é que mora a polêmica. A única coisa dos irmãos Wachowski, que achei interessante e que não tinha efeito algum foi “Ligadas pelo Desejo”. Em particular as cenas picantes entre Jennifer Tilly e Gina Gershon, que não houve necessidades de efeitos, a não ser os colaterais como a taquicardia de quem assistiu. Já a famosa e superestimada trilogia de Matrix, eu não sou fã, aliás achei uma porcaria repleta de efeitos de última geração que hoje já estão ultrapassados, então o filme perde a força e o sentido. Afinal alguém aqui lembra de TRON? Diferente de quando se tem uma bela história, pois o tempo passa, mas ela permanece. Alguém lembra de efeitos pirotécnicos em Poderoso Chefão? Laranja Mecânica? Táxi Driver? E não são clássicos? Então aí fica a grande questão: a tecnologia excessiva não acaba com a emoção do cinema? Transformar heróis de HQ em filme as vezes dá certo (Batman, Homem Aranha, Homem de Ferro, HellBoy, Sin City) e às vezes não (Demolidor, Motoqueiro Fantasma, Superman Returns, Hulk, Quarteto Fantástico), porém dar vida à personagens consagrados de desenho animado, na maioria das vezes dá merda, com perdão da palavra, mas foi a mais próxima que cheguei do que estes caras fazem com os originais. Speed Racer pra quem passou dos trinta é o ápice do saudosimo. Eu que nunca dei a mínima pra carros, como a maioria dos homens, sempre sonhei em ter um MACH 5, tanto que comprei um. Tudo bem, ta certo que custou dois dólares e cabe na palma da minha mão, mas é meu e tá quitado. Na minha época, os garotos da minha idade não discutiam sobre quem matou Isabella ou sobre as falcatruas do governo. A gente discutia se o Corredor X era mesmo irmão do Speed Racer ou não. Bons tempos aqueles. Quem viveu sabe do que falo e quem não viveu, tenho certeza que adoraria ter passado por isto. Meu primeiro filme visto no cinema, foi “Se Meu Fusca Falasse” e apesar de todos efeitos toscos nos dias de hoje, mas na época geniais, o filme trazia muito mais sentimento a ponto de você sentir a sensação de que o carro realmente tinha vida. Detalhe: agradava adultos e crianças. O que faltou no Speed Racer, em minha modesta e claro polêmica opinião é exatamente isto: EMOÇÃO. Primeiro de tudo, quem levou o desenho pra um futuro distante e completamente inverossímil, se no original a época é contemporânea? Segundo lugar, porque mudar o perfil dos personagens? Pops no desenho é atrapalhado e engraçado, no filme traz um John Goodman sério, fazendo papel de patriarca bacana. A Trixie no desenho é gostosa, alta, carismática e no filme uma Christina Ricci sonsa no papel de mocinha, sem falar do Corredor X interpretado por Mathew Fox, que está mais perdido no filme do que seu personagem Doutor Jack, no seriado LOST, dentro da ilha misteriosa. E por último, cadê o MACH 5? A peça principal do filme foi praticamente esquecida no meio de uma história enfadonha e sem graça, que com quinze minutos do desenho, diria a mesma coisa que em mais de duas horas de filme. O MACH 5 é apático e mesmo os efeitos, que na minha opinião parecem um jogo de Play Station, cansam, por serem absolutamente repetitivos e sem a menor emoção. Os adereços do carro de Speed, como as serras e o famoso robô (que parecia um pombo) nem sequer aparecem no filme. Bom, chega de falar disto. Minha dica é: não percam seu tempo! Espero que os “gênios” de HollyWood não inventem de dar vida aos Simpsons (se bem que o nosso José Serra ganharia o papel de Homer na hora), à Pantera Cor de Rosa (Monique Evans, será?), Bicudo o Lobisomen (este sim poderia dar certo, porque Tony Ramos é um excelente ator), entre outros clássicos que embalaram toda uma geração. Esta aí o Pica pau que não me deixa mentir, desbancando até a poderosa Rede Globo. Bom, só peço do fundo do coração que deixem os desenhos em paz. Já temos provas suficientes que não dá certo transcrevê-los pra carne, ossos e muita computação gráfica. Deixem a Corrida Maluca sossegada. Não quero ver Robin Willians como Dick Vigarista e a Gwyneth Paltrow como Penélope Charmosa tambem ninguém merece. Com aquela risadinha do Mutley eu finalizo aqui a coluna, admito ácida de hoje. Ahhhh, antes que eu me esqueça: avisem os vizinhos, e claro, alguns de meus oito espectadores que não lêem a coluna, de que dia 31 de Maio, Cinelândia está de volta, desta vez em nova casa com novos amigos - O Canal 12 da BIG TV, TV Cantareira - todo sábado às 16:00 hrs. e Domingos às 01:00 hrs. e às 15:00 hrs. Espero vocês lá, já que vou mostrar a todos, a aventura Cinelândia nos EUA.


PUBLICADA NO JORNAL GUARULHOS HOJE DIAS 17 E 18 DE MAIO DE 2008

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